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Petr�leo � boa not�cia para economia de AL

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PATRYCIA MONTEIRO Na época em que o petróleo ainda era pivô de calorosos debates acerca do desenvolvimento do país, o primeiro presidente da Petrobras ? o general Juracy Magalhães ? convidou Walter Link, um célebre geólogo americano, para fazer pesquisas sobre o potencial de exploração da matéria-prima em solo nacional. Assim, em 1954, Mr. Link, que até então era chefe da Standard Oil no Brasil, criou e dirigiu o Departamento de Exploração na recém-criada companhia petrolífera, onde realizou estudos nas perfurações das bacias sedimentares brasileiras, inclusive em Alagoas. Sete anos depois, de posse de relatórios contendo a análise de outros 13 geólogos, Mr. Link encaminhou à alta direção da Petrobras um parecer que concluía que, se a empresa quisesse encontrar petróleo, deveria procurá-lo em alto mar ou em outros países. O famoso Relatório Link afirmava que não existiam acumulações significativas de petróleo nas bacias terrestres do país ? avaliação esta que despertou suspeitas entre técnicos e nacionalistas herdeiros da campanha ?O Petróleo é Nosso?, encabeçada pelo escritor paulista Monteiro Lobato nos anos 30. O geólogo americano ficou muito malvisto no Brasil. Até um livro ? intitulado Petróleo apesar de Mr. Link ? foi escrito pelo general Tácito de Freitas para contestar a análise de seu relatório. Ele foi acusado pela corrente desenvolvimentista brasileira de ser um sabotador ianque a serviço das multinacionais de seu país. O tempo passou e com ele a polêmica de outrora foi um tanto esquecida. Os anos redimiram Link, mostrando que de fato o maior potencial de exploração de petróleo no Brasil está no mar. Ano passado, dos 546 milhões de barris produzidos em território nacional, cerca de 466 milhões foram extraídos em poços marítimos. Por outro lado, a distância do tempo deixou claro que Link não poderia ser tão taxativo, já que, atualmente, a maior parte do petróleo explorado nos estados de Alagoas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Sergipe é predominantemente terrestre, enquanto nos estados da Bahia e Amazonas todo o petróleo encontrado está localizado em bacias do subsolo. Esta semana, uma nova descoberta de petróleo em Alagoas confirmou que Mr. Link estava mesmo errado. Uma nova jazida foi encontrada a 37 km de Maceió, no município de São Miguel dos Campos. Batizado de 1-FRO-3AL, o poço de petróleo foi localizado nas plantações de cana-de-açúcar da Usina Caeté, que pertence ao Grupo Carlos Lyra. Segundo a diretoria da Petrobras, a nova reserva tem potencial de exploração de até 15 milhões de barris de petróleo ? mais ou menos o volume extraído no Estado do Espírito Santo em 2003. Quando estiver em plena atividade, da jazida poderão ser extraídos até 6 mil barris por dia. Não é muito ? já que a nova jazida não vai contribuir efetivamente para a busca da auto-suficiência de consumo de petróleo do país, que precisa de uma produção diária de 2 milhões de barris por dia ? mas, para economia local, a nova reserva gerará bons dividendos, como veremos nas páginas a seguir. Leia mais sobre petróleo em Alagoas na páginas A14 e A15

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