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Leil�o elevar� custos de energia no Nordeste

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PATRYCIA MONTEIRO A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, vai realizar hoje, em São Paulo, um leilão no qual será vendido 55 mil megawatts (MW) de energia que corresponde a 75% de toda a eletricidade existente no país. O leilão, que vai movimentar cerca de R$ 150 bilhões, reunirá 16 empresas que atuam no ramo de geração que vão oferecer energia para 34 empresas que atuam no segmento de distribuição. Serão fechados contratos de oito anos de duração, com fornecimento a partir de 2005 até 2007. Neste leilão às avessas, ganha quem oferecer o menor preço. Entretanto, o leilão deve prejudicar os consumidores das regiões Norte e Nordeste que vão adquirir - à sua revelia - uma energia de custo mais elevado que a produzida nas regiões Sul e Sudeste do País. ?A luz na região nordestina deve ficar 5% mais cara?, afirma Geoberto Espírito Santo, consultor em eficiência energética e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). ?Compraremos uma energia vinda das térmicas a gás natural e de Traipu que têm seus preços relacionados ao dólar?, explica. ?Para o cálculo da tarifa média serão considerados os contratos já existentes. Esse quadro será modificado no futuro, mas no curto prazo será prejudicial ao Norte/Nordeste?, adverte. Segundo ele, o consumidor alagoano só vai sentir o peso dessa energia mais cara no próprio bolso a partir de agosto, que é quando a Companhia Energética de Alagoas faz o seu reajuste anual de preços. O consultor conta que em outubro do ano passado enviou sugestões ao Ministério das Minas e Energia com a Federação das Indústrias de Alagoas, no qual alertava para esse custo adicional. Ele sugeriu que existissem inicialmente dois preços médios de referência para a tarifa de suprimento, um para a Região Norte/Nordeste e outro para a Sul. ?Esse mecanismo valeria por um determinado período de transição até que a média tarifária não representasse transferência de recursos das regiões mais pobres para as regiões mais ricas?, afirma. Ele diz que no Paraná, onde custo de geração da Companhia de Energia Elétrica do Paraná era menor do que a resultante prevista no leilão, o Estado entrou na Justiça para ficar fora do pool até 2015, fazendo valer os seus contratos iniciais.

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