loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Medidas provis�rias dividem governo e Congresso

Ouvir
Compartilhar

CRISTINA LIMEIRA Nos últimos quatro meses uma notícia tomou conta do noticiário nacional quase que diariamente. Após ter sido denunciado pelo Ministério Público (MP) por suspeita de sonegação fiscal e crime eleitoral, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi agraciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com uma medida provisória lhe dando status de ministro. Com a promoção, aprovada pelo Congresso Nacional, Meirelles passou a ter foro privilegiado na Justiça e somente pode ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O instrumento utilizado por Lula para ?blindar? Meirelles chegou a ser contestado pelo procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, que alegou inconstitucionalidade da matéria, e trouxe à tona uma prática condenada pelos petistas quando eram oposição ao governo: o uso excessivo de medidas provisórias por parte do Executivo. Desde o início do governo Lula, foram editadas 123 MPs ? o que dá uma média mensal de 5,3. Nos dois primeiros anos do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso foram 102 (ver tabela acima). Na tentativa de justificar o número inflado de MPs, o ministro de Articulação Política, Aldo Rebelo, chegou a culpar seus colegas pelas iniciativas. De acordo com Rebelo, por considerarem ter ?coisas? urgentes para resolver, os ministros utilizavam a MP como um atalho. Mas a explicação de Rebelo não surtiu o efeito desejado. Para reverter a situação, o presidente Lula entrou em cena e responsabilizou o Congresso Nacional pelo ?exagero? na edição de MPs. Segundo ele, a demora nas votações o obrigava a utilizar esse tipo de instrumento. As MPs continuaram abarrotando o Congresso e passaram a trancar a pauta das Casas Legislativas. Até que, há menos de 15 dias, ao se deparar diante de seis medidas que chegaram ao Senado com prazo vencido, precisando ser votadas imediatamente, o líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), subiu à tribuna para criticar o uso excessivo de medidas, enquanto era distribuído um levantamento encomendado por ele a assessores do Senado, mostrando que, das 123 medidas provisórias de Lula nos dois anos de governo, 22% são inapropriadas e 25% discutíveis. Do total, somente 52% seriam indispensáveis. A medida provisória é um instrumento utilizado pelo presidente da República para legislar sobre assuntos de urgência e relevância. Elas têm força de lei e devem ser apreciadas e aprovadas pelos membros do Poder Legislativo, a fim de que se incorporem de forma definitiva ao ordenamento jurídico nacional. Ao chegar no Congresso Nacional, as MPs trancam a pauta de votações após 45 dias de tramitação. A Câmara e o Senado têm, no total, 120 dias para votar uma MP, senão ela perde a validade e é arquivada. Após o desabafo de Mercadante, o governo federal anunciou a criação de uma comissão mista no Congresso destinada a efetuar estudos visando o aperfeiçoamento do rito de tramitação das MPs. A idéia básica é que as MPs possam ser votadas diretamente na comissão permanente responsável pelo respectivo assunto. Só iria a plenário a medida que não fosse apreciada dentro do prazo. Assim, os plenários não ficariam engessados pela fila de medidas, em detrimento de outras votações, como ocorre hoje. A comissão foi instituída no último dia 6 e é composta de cinco senadores: Antonio Carlos Magalhães (PFL/BA), Eduardo Azeredo (PSDB/MG), Garibaldi Alves (PMDB/RN), Antonio Carlos Valadares (PSB/SE); e por cinco deputados: Sigmaringa Seixas (PT/DF), Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL/BA), Dimas Ramalho (PPS/SP), Jaime Martins (PL/MG) e Fernando Gonçalves (PTB/RJ). De imediato, a criação da comissão não traz nenhum efeito prático. Para poder mudar o Art. 62 da Constituição Federal, que dispõe sobre a adoção de MPs, os membros terão de apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A PEC pode ser apresentada via Câmara ou Senado e terá de percorrer as respectivas comissões das Casas Legislativas, antes de ser votada em plenário. Havendo mudanças durante a tramitação, após ser aprovada em plenário, ela volta à Casa de origem para ser apreciada. Até lá muita água deve rolar.

Relacionadas