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O que vai pelo ralo poderia virar investimento

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Medir o tamanho da pirataria, da falsificação, do contrabando e da sonegação não é simples. O que há são estimativas. Mas uma comparação com os recursos aplicados pelo governo mostra que as perdas sofridas pelo país com as práticas ilegais são bem maiores do que os investimentos. Em 2005, o governo federal deve investir R$ 20,7 bilhões em educação. Em comparação ao que foi aplicado este ano, haverá um aumento de verbas de R$ 3,4 bilhões. Só o que é sonegado anualmente com as irregularidades no setor de combustíveis (de R$ 3,3 bilhões a R$ 3,5 bilhões ao ano) já daria para pagar essa diferença. Considerando só o Fome Zero, o investimento em 2004 foi de R$ 10,8 bilhões. Além do Bolsa-Família, a iniciativa inclui, por exemplo, o incentivo à agricultura familiar. Para beneficiar 150 mil famílias no campo, o governo investiu R$ 170 milhões este ano. Levando em conta que o Brasil perde R$ 82,5 bilhões por ano com a informalidade, daria para aplicar na zona rural 485 vezes o total que foi destinado em 2004. A construção de cisternas para acabar com a seca consumiu este ano R$ 50 milhões, para beneficiar 53 mil famílias. O que vai pelo ralo a cada ano, com a ilegalidade, daria para fazer o mesmo programa 1.650 vezes.

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