Economia
Bird aposta no Brasil, mas critica burocracia
A IPC, braço financeiro do Banco Mundial para o setor privado, disse que está direcionando mais recursos ao Brasil por conta do clima favorável aos investimentos, mas alertou seu maior cliente a reduzir a burocracia e melhorar os transportes. A Corporação Financeira Internacional disse que o volume de financiamentos no ano fiscal 2004/2005 será bem maior do que o oferecido ao País no período anterior, avaliado em US$ 180 milhões, mas a entidade não especificou o montante exato. O portfólio total da IFC no Brasil é de US$ 1,1 bilhão. ?Nunca vi o setor privado tão otimista com as ações de um governo?, declarou Peter Woicke, chefe alemão da IFC, em entrevista concedida após dois dias de conversas com dirigentes governamentais e lideranças empresariais. Segundo Woicke, os negociantes estão surpresos com o fato de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sido tão firme no combate ao déficit fiscal e à inflação. ?O clima para investimentos melhorou drasticamente, mas o governo precisa agora se concentrar na microeconomia, na qual ainda há muito trabalho a ser feito?, disse. Woicke afirmou que uma menor burocracia ajudaria a trazer mais empresas pequenas à economia formal, na qual pagariam impostos e aumentariam a arrecadação do governo. Um recente relatório patrocinado pela IFC, chamado ?Fazendo Negócios?, informou que são necessários 152 dias para se abrir uma empresa em São Paulo. No ranking de agilidade, o Brasil é o 141º entre 145 países. ?Na Nova Zelândia você só precisa de uma permissão e pode abrir seu negócio no mesmo dia?, disse Woicke. ?Você tem de tornar mais fácil para as pequenas empresas... tudo isso diz respeito à cobrança de impostos?. Woicke declarou que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse a ele que a burocracia era um problema histórico e que uma nova lei está na fila do Congresso para simplificar a abertura de negócios. A IFC pode também ajudar a atrair investimentos privados em energia elétrica, portos e estradas para diminuir os gargalos no escoamento da produção e garantir o crescimento das exportações brasileiras. ?A agricultura é a estrela das exportações... é o que o Vale do Silício foi para os Estados Unidos?, disse Woicke, referindo-se à indústria de computadores da Califórnia. Woicke reconheceu que os empréstimos da IFC a fazendeiros eram controversos. Ativistas ambientais disseram que um empréstimo de 30 milhões de dólares concedido em setembro ao principal produtor de soja do Brasil aceleraria o desmatamento no Estado de Mato Grosso e na Amazônia. ?Nós temos a visão de que um engajamento é melhor do que um não-engajamento?, disse ele.