Economia
Agroneg�cio � �ncora do desenvolvimento
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou que o agronegócio foi o setor capaz de restabelecer na última década o ritmo das exportações do país. Ele disse também que as contas externas do país têm no agronegócio uma contribuição fundamental. E que o Ministério da Fazenda tem se dedicado a atender às demandas do Ministério da Agricultura na liberação de recursos. Ele fez essas afirmações ao deixar o Ministério da Agricultura, onde participou de café da manhã, na última quinta-feira, com o ministro Roberto Rodrigues e parlamentares da bancada ruralista. Palocci salientou que o agronegócio ?continuará sendo a âncora fundamental para o desenvolvimento do país?. Em relação ao pedido dos parlamentares para que o Ministério da Agricultura tenha, em 2005, pelo menos R$ 2 bilhões para políticas de apoio à comercialização, Palocci disse que a proposta orçamentária foi enviada ao Congresso Nacional e que o relator Romero Jucá está revendo e adequando as demandas aos novos indicadores da economia. ?Na verdade teremos algum nível de curso para atender uma demanda bastante extensa de todos os lados?, comentou. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, não falou com os jornalistas ao fim do encontro, mas o secretário de Política Agrícola da pasta, Ivan Wedekin, disse que a expectativa de dificuldades para o setor agrícola em 2005 não impedirá que o agronegócio brasileiro ?seja muito forte e um dos mais competitivos do mundo?. De acordo com ele, o setor é uma ?fortaleza? que contribuiu para a economia do país. A avaliação do secretário é que a expectativa de piora do cenário para comercialização dos produtos agrícolas em 2005 não caracteriza uma crise. ?Mas precisaremos de uma ponte para assegurar a competitividade do setor?, comentou. O secretário comentou que será preciso fazer, nas próximas duas semanas, uma articulação no Congresso Nacional para que os parlamentares destinem mais recursos para as políticas de apoio à comercialização da safra agrícola. ?Precisamos de um orçamento real, que tenhamos um lastro, ou seja, que os recursos não sejam virtuais, sem fontes efetivas de receita?, afirmou. O Orçamento 2005 prevê R$ 500 milhões para políticas de apoio à comercialização de produtos agrícolas, como, por exemplo, contratos de opção (que garantem ao produtor vender um produto ao governo a preço pré-estabelecido), linhas de estocagem e compras da agricultura familiar. Parlamentares pedem pelo menos R$ 2 bilhões para comercialização. ?Insensível? Na ocasião, o deputado federal Francisco Turra (PP-RS) afirmou que ?a área econômica do governo foi e é muito insensível? aos pleitos de liberação de recursos para a agricultura. ?Eles (a área econômica) acham que liberar dinheiro para a agricultura é o mesmo que rasgar dinheiro?, comentou o deputado, que foi ministro da Agricultura de abril de 1998 a julho de 1999. De acordo com o deputado, o ministro Rodrigues disse, ao abrir o encontro, estar ?muito apreensivo e preocupado com a situação da agricultura em 2005?. Segundo Turra, Rodrigues destacou que é muito importante que o governo disponibilize, em 2005, recursos para políticas de apoio à comercialização. Turra afirmou que, durante a apresentação, Rodrigues salientou aos participantes do encontro que há um sério risco de a agricultura ter, em 2005, um novo ciclo de endividamento. ?O próximo ano será de entressafra de boas notícias. Em 98, quando fui ministro da Agricultura, vi de perto os estragos do início do período de endividamento?, relatou Turra. Ele lembrou que, em 1998, o ministério da Agricultura tinha R$ 1,4 bilhão para investir em políticas de apoio à comercialização, montante muito superior aos atuais R$ 271 milhões. ?A safra agrícola era muito menor, mas tínhamos muito mais dinheiro para dar apoio à comercialização?, comentou Turra.