Economia
D�vida alta prejudica crescimento do Estado
PATRYCIA MONTEIRO Parece que os índices do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) teimam em desfavorecer Alagoas. Entretanto, eles ajudam a entender as dificuldades que o Estado tem atravessado. De acordo com o levantamento recente, o Produto Interno Bruto alagoano vem perdendo posição no ranking brasileiro. Em 1985, Alagoas ocupava a 17a posição (ver quadro). Mas, a partir de 1990, o Estado passou ao 20o lugar e, dez anos depois, caiu mais um pouco e ficou no 21o, ultrapassado pelo rio Grande do Norte, Paraíba e Mato Grosso. ?Embora não tenham crescido muito, os estados conterrâneos têm algumas vantagens comparativas?, diz o economista e consultor em planejamento estratégico, Adelmo Mota Mendonça. ?Mais rápido que Alagoas, eles despertaram para a necessidade de diversificar suas atividades econômicas buscando pequenas e novas oportunidades de negócios?, analisa. De fato, é notório o crescimento potiguar nos segmentos de turismo, de têxteis, pescados, petróleo e na agricultura irrigada. Esses produtos, inclusive, fazem parte da balança comercial do Estado. A Paraíba, por outro lado, também vem crescendo na produção de calçados, têxteis e pescados. ?A economia alagoana ainda é muito dependente do setor sucroalcooleiro. Dessa forma, sempre que o segmento tiver desempenho prejudicado pelo mercado internacional, o resultado do Estado como um todo também é prejudicado?, afirma. A reflexão do economista se confirma na realidade. Segundo o levantamento do IBGE, o crescimento econômico de Alagoas, em 2002, foi tímido em função da queda na cana-de-açúcar que teve variação negativa de 14%. O presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas, Edgar Antunes, relembra que naquela época os preços do açúcar e do álcool no mercado externo estavam em baixa. ?Nossa saída está na diversificação de atividades?, sentencia Adelmo da Mota Mendonça. Contudo, o economista ressalta que o Estado também despertou com atraso para as necessidades de infra-estrutura e incentivos fiscais para atrair novos investimentos. Em concordância, o economista e professor da Universidade Federal de Alagoas, Fernando Sérgio Lira diz que desde 2000 quase todos os estados brasileiros receberam novos investimentos. ?Alagoas, por sua vez, só recebeu recursos públicos federais?, afirma. ?O Estado, ao contrário dos outros conheceu a evasão de capital ? já que as usinas do Estado têm expandido para outras regiões onde encontram mais competitividade?, reflete. Mas, Lira reforça que Alagoas tem ainda um outro agravante: a pesada dívida com o governo federal passou a abocanhar 15% da Receita Corrente Líquida do Estado, não deixando margens financeiras para que se fizesse investimentos na infra-estrutura local. ?Faltou mais habilidade por parte do governo estadual no momento de renegociação do débito. Era necessário ter lançado mão do argumento da crise das letras de 1997, para pleitear um percentual de pagamento mais razoável?, diz o professor. ?Dívida não é problema, o problema é sua forma de pagamento e, no caso de Alagoas, só se deveria ter comprometido 5% de nossa receita?, sugere Lira.