Economia
Valor do novo sal�rio divide parlamentares
Berzoini também anunciou que o governo vai editar uma medida provisória que corrigirá a tabela de Imposto de Renda em 10% a partir de 2005. As centrais sindicais pediam que a tabela sofresse uma correção mínima de 17% para zerar as perdas inflacionárias acumuladas durante o governo Lula. O presidente, entretanto, optou por um reajuste menos ambicioso para reduzir o impacto nas contas públicas. A estimativa é de que haja uma queda de arrecadação de R$ 2 bilhões com a correção da tabela. Desde 1996, a tabela sofreu uma única correção - de 17,5%% - em 2002. Se a variação da inflação de todo o período de congelamento fosse aplicada à tabela de IR, o reajuste seria superior a 63%, segundo as centrais sindicais. Lula determinou que a equipe econômica descongelasse a tabela do IR em 2005 após o resultado das eleições municipais. De olho na eleição presidencial de 2006, Lula pediu para corrigir o IR e favorecer as pessoas que ganham mais de R$ 1.058 - atual faixa de isenção do imposto. Congresso O reajuste do mínimo para R$ 300 a partir de maio dividiu as opiniões no Congresso Nacional. O valor foi bem-aceito, mas a data de validade do reajuste provocou reclamações da oposição e até mesmo de aliados do governo. Para o senador Paulo Paim (PT-RS) a data para o reajuste foi uma decepção. ?Eu via com simpatia o reajuste para R$ 300 se fosse dado a partir de 1º de janeiro. Em maio é melhor que se dê os R$ 320?. Paim criticou ainda a proposta do governo de editar uma nova medida provisória para reajustar o valor do mínimo. ?Se for só para maio não há necessidade de uma medida provisória. Basta o governo determinar que sejam votados os projetos existentes no Congresso que tratam do salário mínimo?. Para o vice-presidente do PSDB, senador Leonel Pavan (SC), o governo ?blefou?. ?Enganou a própria base aliada, que vinha se vangloriando dos R$ 300 ainda em janeiro?. Segundo ele, o PSDB viu com ?bons olhos e aprovou? o salário mínimo de R$ 300 a partir de janeiro. ?O governo não frustrou só a base aliada ou a oposição, frustrou a nação brasileira. Com o aumento retumbante do Produto Interno Bruto (PIB), poderia ter mantido a promessa de aumentar o mínimo em janeiro?. O relator do Orçamento Geral da União de 2005, senador Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que o acréscimo de R$ 40 ao salário mínimo atual foi significativo. Jucá disse que, em conjunto com o governo, havia utilizado a fórmula que reajustava o mínimo de acordo com o crescimento do PIB, mas o valor chegou a R$ 288 e foi considerado pequeno.