Economia
Novo m�nimo �ser� de R$ 300 em maio
O governo decidiu elevar o salário mínimo de R$ 260 para R$ 300 a partir de maio. Já a tabela do Imposto de Renda sofrerá uma correção de 10% em 2005. As decisões foram divulgadas pelo ministro Ricardo Berzoini (Trabalho) após reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com representantes das principais centrais sindicais do país. A elevação do mínimo para R$ 300 representa um reajuste de 15,4%. O governo também analisava conceder um aumento para R$ 290 a partir de janeiro com um complemento de R$ 10 em maio, proposta que foi descartada por Lula. Berzoini vinha defendendo nos últimos dias o aumento para R$ 300 por considerar o número mais impactante. Ele estimou que o aumento real do mínimo - ou seja, o reajuste descontada a inflação - será de 9,3%. Com o reajuste, o mínimo pode ultrapassar o valor de US$ 100. No início da tarde de ontem o dólar estava cotado a R$ 2,738. Mantida essa cotação até maio, o mínimo passaria para US$ 109,57. O governo estima que vai precisar separar mais R$ 2,740 bilhões para cobrir o aumento de despesas com o salário de R$ 300 além da quantia que já havia sido reservada no Orçamento de 2005 - que previa um mínimo de R$ 281. O presidente Lula também determinou a formação de uma comissão integrada por governo, trabalhadores, empresários e aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para discutir uma ?política de recuperação sustentável? do mínimo, que deve ajudar a definir os reajustes dos próximos anos. O governo bateu o martelo sobre o novo valor do mínimo após reunião de Lula com sindicalistas, que também contou com a participação dos ministros Antonio Palocci (Fazenda), Ricardo Berzoini (Trabalho), José Dirceu (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Jaques Wagner (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), além do presidente da comissão de Orçamento, deputado Paulo Bernardo (PT-PR), e do deputado Luiz Antônio de Medeiros (PL-SP). Ontem, chegou a Brasília uma marcha de sindicalistas em defesa do aumento do salário mínimo, da correção da tabela do IR e de reajuste para o funcionalismo. CUT, Força Sindical e demais centrais defendiam a elevação do mínimo para R$ 320 e a adoção de uma política de recuperação do poder de compra do salário. Após o encontro, os sindicalistas afirmaram que ainda vão tentar aumentar o valor do mínimo no Congresso Nacional - o projeto de lei que regulamentará o aumento precisa ser aprovado por deputados e senadores. Mas o ministro do Trabalho descartou a possibilidade de mudanças no Congresso devido às limitações orçamentárias do governo.