Economia
Governo cria fundo para ajudar banco m�dio
Pouco mais de um mês após a intervenção do Banco Central no Banco Santos, o Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelos principais membros da equipe econômica do governo federal, aprovou ontem uma medida que permite que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ajude bancos que estejam enfrentando problemas de liquidez. O FGC é um fundo formado pelas instituições financeiras brasileiras. Tem como objetivo garantir aos titulares de contas correntes e cadernetas de poupança que sejam sacados até R$ 20 mil em caso de falência, liquidação ou intervenção do banco em que têm recursos depositados. Com a decisão, o FGC passa a ter disponível 20% de seu patrimônio para comprar a carteira de crédito de instituições com problemas de liquidez, o que poderia evitar, em casos extremos, a falência desses bancos. O patrimônio do fundo está em torno de R$ 5 bilhões. Ou seja, ele passa a ter disponível com a decisão do CMN R$ 1 bilhão para ajudar bancos em dificuldades financeiras. Os recursos do FGC são formados pela contribuição dos bancos, que é de 0,025% do valor dos depósitos. Segundo Sérgio Darcy, diretor de Normas do BC, a medida dá ao fundo condições de em certos momentos aplicar recursos em instituições que necessitem de liquidez e tem caráter preventivo. Essa é mais uma ajuda aos pequenos e médios bancos que ocorre após a intervenção do Banco Central no Banco Santos, no dia 12 de novembro. Após a intervenção, os grandes aplicadores, com receio de ondas de saques de recursos em bancos com perfil semelhante ao do Santos, passaram a retirar os recursos de instituições de pequeno e médio porte. Esse foi um dos motivos que levaram o BC a alterar, no dia 19 de novembro, a forma de recolhimento compulsório dos depósitos a prazo no Banco Central. A alíquota para o recolhimento de recursos permaneceu em 15%. Ou seja, de cada R$ 100 aplicados em um banco, R$ 15 deveriam ser repassados ao BC. No entanto, o banco só precisa entregar ao BC o compulsório que ultrapassar R$ 300 milhões. Se o valor total do compulsório for de R$ 1 bilhão, por exemplo, ele só precisa recolher R$ 700 milhões. Da forma como foi desenhada, a medida beneficiou muito mais os bancos pequenos e médios do que as grandes instituições financeiras brasileiras, que repassam bilhões de reais ao BC. ?Essas medidas podem cada vez mais consolidar o nosso sistema financeiro?, disse Darcy.