Economia
Mercado inverte curva de juro e antecipa Copom
O mercado está confiante na interrupção do aperto monetário deflagrado pelo Banco Central em setembro. A expectativa é de que a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que elevou a Selic a 17,75% ao ano, esperada para a próxima quinta-feira, sinalize a transição do ?aperto? para a estabilidade. Mas as tesourarias bancárias anteciparam o ajuste das carteiras e um primeiro sinal da expectativa de virada do juro pelo BC foi emitido na quinta e reprisado na última sexta-feira. Pela primeira vez desde maio, a curva de juro inverteu. Os bancos empurraram o juro de prazo mais longo abaixo da Selic. A semana terminou com o juro de um ano no patamar de 17,30% ao ano ou cerca de 0,40 ponto percentual abaixo da taxa básica. Esse movimento é interpretado como voto de confiança no efeito da política monetária executada pelo BC sobre expectativas de inflação e ritmo da atividade. Guinada semelhante dos juros ocorreu de março para abril de 2003. O primeiro trimestre do governo Lula terminou com a Selic em 26,5% ao ano, embalada pelo viés de alta. Mas a elevação do juro básico pelo presidente do BC - prerrogativa dada pelo viés de alta - não ocorreu e o viés foi abolido das decisões do Copom em meados de abril. A queda do juro futuro, antecipada por grandes bancos em abril de 2003, foi confirmada pelo Copom em junho de 2003 - reunião que marcou o processo de sete reduções consecutivas da Selic que perdeu 10 pontos percentuais. O movimento inverso da curva de juros - com o prazo de um ano superando a Selic - ocorreu em maio deste ano e na esteira da decisão do Copom de manter a taxa estável. Essa decisão foi emblemática pelo placar de 6 a 3 entre os membros do Copom (6 a favor da estabilidade e 3 a favor de corte de 0,25 ponto) e por ter sido tomada após dois cortes seguidos de 0,25 ponto cada. A elevação da Selic, em 2004, começou para valer em meados de setembro até esta semana, quando o colegiado do BC discutiu a política de juros pela última vez no ano. Atenção no governo A percepção de que quatro altas de Selic, somando 1,75 ponto percentual, são suficientes para arrefecer as expectativas inflacionárias para 2005 foi reforçada, na última sexta-feira, por uma suposta sinalização que o presidente Lula teria dado à bancada de senadores do PT. Em jantar com parlamentares, na quarta-feira, ?o presidente teria assinalado que a elevação de 0,50 ponto percentual da Selic, de 17,25 para 17,75% ao ano, seria a última do aperto monetário?, informou o Credit Suisse First Boston (CSFB) em relatório em que comenta informações da imprensa local. Na última semana de negócios antes do Natal, os bancos devem começar a fechar as posições no mercado futuro. E o movimento de baixa dos juros mais longos pode ser reforçado pelas expectativas de IPCA para 2005 apresentadas nesta segunda-feira no relatório Focus, do BC. Há praticamente uma semana, a projeção do mercado caiu de 5,80% para 5,78%. Essa indicação colou na estimativa média das cinco instituições com maior grau de acerto no curto prazo. A expectativa média ?Top 5? de IPCA para 2005 recuou de 5,87% para 5,79% na última semana. Dois índices de inflação serão divulgados na semana: a segunda prévia do IPC-Fipe de dezembro e o IPCA-15 fechado de dezembro. O IPCA-15 será o segundo índice de preços fechado em 2004. O primeiro foi o IGP-10, da Fundação Getúlio Vargas, que subiu 0,77% em dezembro e encerrou o ano em 12,42%. Confirmada a expectativa de variação de 0,75% do IPCA-15 em dezembro, este indicador do IBGE considerado prévia da inflação oficial (IPCA) fecha o ano em 7,44%. Essa taxa, ainda que apenas sinalizadora do IPCA, ficará bem acima da meta central de 5,5% fixada pelo BC para 2004 mas dentro do intervalo de tolerância de 2,5 pontos percentuais (para cima e para baixo da meta central) definida na política de metas de inflação. Agenda da semana Os eventos de maior destaque na agenda doméstica na semana são os seguintes: Segunda-feira - Balança comercial semanal, relatório Focus, relatório do BC sobre o setor externo, segunda prévia do IPC-Fipe de dezembro e arrecadação federal em novembro Terça-feira - Resultado fiscal do Governo Central (BC, Tesouro e Previdência) em novembro (Tesouro), relatório do BC sobre spread bancário e IPCA-15 de dezembro Quarta-feira - Resultado consolidado da política fiscal em novembro (BC), pesquisa do IBGE sobre emprego no país em novembro e PIB do terceiro trimestre em valores correntes Quinta-feira - Ata do Copom Sexta-feira - Não há previsão de anúncio de indicadores na véspera do Natal, mas o sistema bancário funciona normalmente para atendimento ao público e operações interbancárias.