Economia
Nova demanda de �lcool muda estrat�gia do setor
PATRYCIA MONTEIRO Superando todas as expectativas de vendas internacionais, o álcool disparou como commodity. Na safra que termina, o Brasil deverá produzir 15 bilhões de litros e exportar 2 bilhões ? 150% a mais do que o volume comercializado no exterior no ano passado. Em 2006, estima-se que 3 bilhões de litros sejam exportados pelo país. E a agroindústria alagoana não está na contramão. Segundo Antônio da Silva Frazão Filho, coordenador da Copertrading ? empresa alagoana que atua no segmento de exportação de derivados de cana-de-açúcar cujos acionistas são 17 usinas ? a produção de álcool anidro está crescendo cerca de 25% no Estado. ?Os empresários de Alagoas estão sempre se antecipando. Até a safra passada, 80% do nosso álcool era voltado para o segmento industrial no qual a demanda é estável. Entretanto, com a nova demanda por álcool combustível já estamos redirecionando a produção?, afirma. Essa mudança de planos atrelada à valorização do álcool como commodity promete ainda outras adaptações. De acordo com Frazão, até as exportações do melaço ? produto que reapareceu na pauta de exportações a partir de 2001 ? também será diminuída para se produzir mais álcool anidro. Essa tendência já pode ser observada nos balanços do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (ver tabela acima). Dos 110 milhões de quilos comercializados no ano passado, apenas pouco mais de 41 milhões já foram exportados até outubro. ?É uma questão de estratégia?, diz o especialista em exportação, mencionando que o melaço alagoano é comercializado para dois mercados: a Europa Ocidental e o Caribe. ?Os europeus utilizam o subprodutos na alimentação do gado. Já os compradores do Caribe usam o melaço para fabricar rum?, acrescenta. Graças a esta flexibilidade tática, os empresários alagoanos estão prontos para atender a demandas que venham a surgir no futuro ? é o que garante Frazão.