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Fim de ano estimula vendas no credi�rio

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Brasília - Com a proximidade das festas de fim de ano, as vendas a crédito feitas pelo comércio registraram forte crescimento no mês passado. Entre outubro e novembro, a concessão desse tipo de financiamento passou de R$ 3,873 bilhões para R$ 4,307 bilhões ? expansão de 11,2% ?, segundo levantamento feito pelo Banco Central. Por outro lado, os consumidores que se endividaram no mês passado para fazer suas compras pagaram mais caro: os juros cobrados pelos bancos nessa modalidade de crédito subiram de 39,1% ao ano para 39,5% no mesmo período. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, diz que a maior utilização do crediário reflete não só o movimento normal de fim de ano, mas também a retomada do crescimento da economia. ?O nível de atividade está mesmo muito alto?. Lopes cita também o aumento de 14,2% na concessão de financiamentos para capital de giro. Juros altos Já a alta dos juros, segundo ele, apenas segue as decisões tomadas recentemente pelo BC. ?As taxas têm acompanhado o movimento da Selic?, afirma. Entre setembro e novembro, a Selic (taxa básica de juros) subiu de 16% ao ano para 17,25%. Na semana passada, ocorreu um novo aumento, e a taxa passou para 17,75% ao ano. A taxa Selic é praticada nas operações de curto prazo efetuadas entre os bancos e o BC. Por isso, ela serve de referência para os juros cobrados em todos os empréstimos concedidos pelas instituições financeiras. A distância entre a taxa Selic e os juros efetivamente cobrados pelos bancos, porém, é grande. Em novembro, segundo o BC, as instituições financeiras conseguiam captar dinheiro no mercado pagando juros médios de 17,8% ao ano. Ao emprestar esses recursos, porém, cobrava-se uma taxa média de 45,7% ao ano. A diferença de 27,8 pontos percentuais é o que se chama de ?spread? bancário. Trata-se daquilo que os bancos ganham em cada operação de crédito. Além de ser usado para cobrir custos como impostos, pagamento de funcionários e perdas com calotes, o ?spread? também serve para formar o lucro das instituições. Os juros médios de 45,7% ao ano cobrados pelos bancos em novembro ficaram praticamente estáveis em relação a outubro, quando a taxa, de acordo com o BC, ficou em 45,6%. O aumento foi maior para as pessoas físicas: nesse caso, os juros passaram de 63,2% ao ano para 63,4%. Essa pequena elevação da taxa média, porém, é conseqüência de um efeito estatístico, já que ela é calculada pelo BC com base nos volumes de crédito concedidos pelos bancos. Ou seja, as taxas cobradas nas modalidades mais populares têm influência maior. Alternativa Na prática, a alta foi maior. Dos cinco principais tipos de crédito direcionados a pessoas físicas, porém, nenhum apresentou queda nos juros. O que ocorreu é que a procura por modalidades que cobram taxas menores ? como o crédito pessoal e o crediário ? foi maior do que a demanda por empréstimos como os do cheque especial, em que a taxa média praticada ficou em 142% no mês passado, contra 141,1% em outubro. Já a maior utilização do crédito pessoal, diz Lopes, foi estimulada pelos juros mais baixos oferecidos pelos bancos, especialmente no crédito com desconto direto em folha de pagamento. Nesse último caso, a taxa média, de acordo com o BC, ficou em 38,9% ao ano no mês passado. Entre janeiro e novembro, o total de crédito com desconto em folha disponibilizado pelos bancos passou de R$ 6,319 bilhões para R$ 11,725 bilhões, aumento de 85,6%.

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