Economia
Supermercado vende menos e rev� proje��es
O resultado de vendas dos supermercados em novembro foi tão frustrante que levou a entidade representativa do setor a alterar a previsão de vendas do ano. O desempenho se contrapõe a números anteriores positivos da área de varejo de alimentos, que teve inclusive em outubro a sua melhor performance de todo o ano. Exatamente por causa dessa instabilidade nos resultados, não é possível dizer que o número de novembro aponta uma tendência. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), no mês passado as vendas do segmento caíram 4,13% sobre outubro ? em valores reais (descontada a inflação). Em comparação com o mesmo mês de 2003, houve uma elevação de 3,08%. Entretanto, a atenção fica centrada na comparação com outubro porque se aguardava uma alta de 6% nos resultados, e não uma retração superior a 4%. Além disso, a queda merece destaque, pois o outro dado comparativo do relatório ? que aponta a alta de 3,08% ? já era esperado. Isso por uma questão de efeito estatístico. Explica-se: em novembro do ano passado as vendas despencaram 10,5%. Com um tropeço desse, que acabou criando uma base fraca de comparação, ao se examinarem os dados é fácil obter um desempenho positivo em novembro deste ano. As razões que explicam a queda de novembro são: 1) o aumento na taxa básica de juros do governo ? que ocorreu pelo segundo mês consecutivo, já que houve uma alta em setembro; 2) a lenta recuperação na renda (a maioria das pessoas usa o salário, e não o crédito bancário, para compras de alimentos); e 3) menor número de dias úteis no mês. Com a freada sentida pelo setor, a direção da Abras decidiu reduzir de 3% para 2,5% a previsão de expansão nas vendas reais do segmento em 2004 em relação ao ano passado. Nos onze meses do ano, o resultado acumulado está em 2,34%. Como o comando da associação é cauteloso em relação a dezembro, a performance do ano tende a ficar perto desses 2,5%. Com isso abandona-se a estimativa feita há um mês e volta-se a trabalhar com a primeira suposição. ?Não esperávamos uma queda tão forte para o mês passado. Prevíamos uma alta próxima de 6% em novembro. Para dezembro já acreditamos que pode ser um resultado também longe do calculado?, afirma João Carlos de Oliveira, presidente da Abras. Uma possível expansão de 2,5% nas vendas reais ainda não reverte a forte retração de 4,5% do ano passado, o pior ano desde 1991. Os números da entidade refletem o desempenho geral do setor. Dados positivos de grandes redes, como o Pão de Açúcar, que há uma semana informou à imprensa ter registrado uma alta de 14,9% nas vendas em novembro, são casos específicos, diz a Abras.