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Bolsa cai 3,06% e dólar sobe 1,47% no 1º pregão do ano

Mercado financeiro iniciou 2023 com uma forte demonstração de descontentamento de investidores domésticos com ações de Lula

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Nesta segunda, as principais estatais perderam mais de R$ 31 bilhões em valor de mercado
Nesta segunda, as principais estatais perderam mais de R$ 31 bilhões em valor de mercado -

São Paulo, SP – O mercado financeiro iniciou 2023 com uma forte demonstração de descontentamento de investidores domésticos com o discurso de posse e as primeiras ações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A leitura feita por analistas é de que há sinais claros de que o governo será mais intervencionista na economia do que se esperava, com consistente uso de empresas públicas. Há também piora nas expectativas quanto ao controle dos gastos públicos, sentimento que ganhou força após o anúncio da manutenção da desoneração por dois meses para gasolina e etanol, e por um ano para diesel, biodiesel e gás de cozinha. No mercado de câmbio, o dólar comercial à vista fechou o pregão desta segunda-feira (2) com ganho de 1,47% sobre o real, cotado a R$ 5,3570. Na Bolsa, o índice de referência Ibovespa caiu 3,06%, aos 106.376 pontos. Desvalorizações expressivas de companhias controladas pelo governo federal respondem por grande parte da perda do Ibovespa nesta sessão. Papéis mais negociados no dia, as ações preferenciais da Petrobras tombaram 6,45%, enquanto as ações ordinárias da estatal mergulharam 6,66%. O Banco do Brasil perdeu 4,23%. Com as principais Bolsas do exterior fechadas devido ao prolongamento do feriado de Ano-Novo, a tendência de queda foi reforçada devido à ausência do fluxo de investidores estrangeiros, mais otimistas com o novo governo do que os locais, segundo analistas. O baixo volume movimentado também tornou as oscilações mais exageradas. Lula fez em seus discursos de posse uma forte defesa do Estado no desenvolvimento econômico do país. Ao falar em sessão no Congresso, citou bancos públicos e outras empresas estatais como atores do processo e citou especificamente o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e empresas indutoras "de crescimento e inovação, como a Petrobras". O presidente assinou ainda no domingo as primeiras medidas na área econômica, entre as quais uma determinação para que os ministros tomem providências para retirar as estatais do programa de privatizações. A medida atinge em especial a Petrobras e os Correios, que estavam em processo para privatização já sob análise de membros do TCU (Tribunal de Contas da União). Essa mudança de postura quanto à condução das estatais é observada por investidores como o encerramento de um programa de desestatização em curso desde a gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB) e que agradava o mercado, segundo Matheus Pizzani, economista da CM Capital. "Além disso, há um peso bastante negativo das falas de Lula por conta do papel das estatais na indução do desenvolvimento econômico, sobretudo dos bancos, como Banco do Brasil, Caixa e do próprio BNDES", afirma Pizzani.

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