REALIDADE VIRTUAL
APLICATIVO QUE CRIA AVATAR PODE PÔR EM RISCO DADOS PESSOAIS
Consultor em tecnologia, Valdick Sales explica que é preciso o usuário ficar bastante atento a alguns pontos ao baixar esses Apps
Você abriu suas redes sociais e deu de cara com seus amigos transformando fotos em avatares. A trend do momento tem nome: Magic Avatars. Criado em 2016, o aplicativo Lensa faz edição de fotos e agora lançou esta nova função.
A premissa é simples: a partir de selfies, a função cria avatares usando a inteligência artificial. A nova funcionalidade caiu no gosto do público e fez com que o aplicativo se tornasse um dos mais baixados nos sistemas Android e IOs. Além disso, as imagens se tornaram trend nas redes sociais.
Para criar os avatares, o Lensa precisa que você envie pelo menos 10 selfies. Em menos de 20 minutos, o aplicativo gera 50 avatares com o seu rosto. Vale lembrar que, para que as novas fotos tenham menos erros e maior semelhança com a vida real, o ideal é enviar o maior número de expressões e ângulos de rostos possíveis.
As novas imagens seguem temáticas como “Sci-fi”, “Mystical”, “Stylish” e “Adventure”. O Lensa é pago e a assinatura custa R$ 10,90. Também é possível gerar os avatares sem assinatura, por R$ 22,90. A ferramenta oferece uma semana grátis de teste, mas somente para a edição de fotos, deixando de fora a função Magic Avatars.
Até aí, pode parecer algo inofensivo. No entanto, especialistas na área de tecnologia fazem uma alerta importante quanto ao uso de dados pessoais. Quando o usuário baixa o aplicativo, uma das mensagens que aparecem e deve chamar atenção é quanto ao pedido de rastreamento de atividades entre apps e sites de outras empresas. Segundo o Lensa, “os dados serão utilizados para fornecer uma experiência melhor e personalizada”, diz a mensagem.
ALERTA AOS DADOS
Já houve casos parecidos. Em 2019, o FaceApp teve uma carreira similar, e logo depois todo mundo descobriu que o app coletava vários dados (com a autorização dos usuários), em especial o histórico de navegação web. Na época, muita gente especulou que a grande amostragem de dados reunida pelo aplicativo poderia abastecer um sistema de reconhecimento facial, por exemplo. A política do Lensa é explícita ao dizer que as fotos do usuário só saem do celular para serem processadas pela inteligência artificial da companhia, na nuvem, e são apagadas em até 24 horas. Nenhum outro tipo de uso é previsto.
Porém, a mesma política de privacidade registra que você “concede uma licença perpétua, irrevogável, não exclusiva, isenta de royalties, mundial, totalmente paga, transferível, sublicenciável para usar, reproduzir, modificar, adaptar, traduzir, criar trabalhos derivados e transferir seu Conteúdo de Usuário, sem qualquer compensação adicional para você e sempre sujeito ao seu consentimento explícito adicional para tal uso quando exigido pela lei aplicável e conforme indicado em nossa Política de Privacidade.” Ou seja, você está cedendo todas as suas ilustrações (que são bastante realistas) para que a empresa use do jeito que quiser. O consultor em tecnologia, professor Valdick Sales, explica que é preciso o usuário ficar bastante atento a alguns pontos ao baixar esses aplicativos. Analisar a política de privacidade e o termo de uso são pontos fundamentais no momento em que o usuário demonstrar o interesse de adquirir o serviço na loja online. “São duas atitudes fundamentais para qualquer usuário. A política de privacidade vai dizer o que o aplicativo vai fazer com os seus dados. Já o termo de uso, define como a empresa vai utilizá-los. Por muitas vezes, para entrar nas trends do momento, o usuário não se atenta para a importância dessas condições, mas isso são documentos que precisam ser analisados porque vai mexer diretamente com seus dados”, alerta Sales.