Transporte
VIAGENS DE ÔNIBUS AUMENTAM 52% EM MACEIÓ EM UM ANO
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Em tempos de dinheiro curto e carestia, os voos de avião se tornaram cada vez menos frequentes na rotina dos brasileiros e as viagens de ônibus voltaram a fazer parte da vida das pessoas. Em Alagoas esta situação não é diferente, dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontam que a venda de passagens com origem em Maceió aumentaram 52% no ano passado, ante 2021.
Ao todo, foram vendidos 288.404 bilhetes em 2022, contra 189.169 em 2021 com origem em Maceió. Em valores, o setor movimentou R$ 1,8 bilhão em Alagoas. A ANTT aponta que os ônibus convencionais ainda são os preferidos, com a venda de 158.048 bilhetes em Maceió no ano passado. Logo em seguida aparecem os ônibus executivos, com a venda de 60.439 bilhetes. Fechando o ranking estão os veículos que oferecem semi leito, com 47.173 bilhetes vendidos.
No entanto, o preço dos bilhetes de ônibus também não estão baixos. Contudo, a conselheira da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), Letícia Pineschi, afirma não acreditar na possibilidade de os preços continuarem avançando. Ela aposta que o aumento da demanda nos próximos meses ajudará o setor a equilibrar as contas.
No acumulado de 2022, o número de passageiros transportados por rodovias no País chegou a 94% do registrado no mesmo período de 2019, antes da pandemia. Em 2021, esse número era de 69%. “O setor está otimista. As pessoas querem sair de casa e fazer o que não fizeram durante a pandemia. Os programas sociais ajudam e também há procura por serviços mais caros, como o leito. Isso favorece o equilíbrio do valor e a democratização do acesso ao ônibus”, avalia.
Dados da Abrati revelam que as viagens de ônibus ganharam bastante a preferência dos viajantes: 80% das pessoas ouvidas em um levantamento da entidade responderam que, entre setembro de 2021 e 2022, trocaram, pelo menos, uma viagem de avião ou carro pelo ônibus e 42% afirmaram que o preço foi o principal motivo para essa mudança.
“Isso demonstra uma migração do transporte. Antes, o turista de lazer acabava considerando outros modais. Hoje, com a variação da gasolina, as tarifas dos pedágios, o valor alto das passagens aéreas e com o custo para despachar malas, percebemos que mais pessoas têm interesse em usar o ônibus de linha para turismo”, ressalta Letícia Pineschi.
Na avaliação da entidade, uma das conclusões mais importantes aponta espaço para crescimento de programas de fidelidade no transporte rodoviário de passageiros. Hoje, 88% dos passageiros não estão registrados em nenhum programa de vantagens e 59% não possuem instalado no celular qualquer aplicativo das empresas de ônibus.
“Os dados reforçam a ampla oportunidade que o setor tem para crescer de forma sustentável neste segmento com ações de marketing e comunicação efetivas, em especial nas redes sociais, onde 60% dos passageiros querem mais informações sobre a divulgação de preços e promoções do mercado rodoviário”, avalia Letícia.
Outro resultado que chama a atenção é que apesar de extremamente bem avaliado por quem utiliza o serviço, hoje 46% não encontram com facilidade informações sobre as empresas, rotas, horários e preços das passagens. “Isso demonstra a oportunidade que temos para aumentarmos a conexão com o consumidor por meio de ferramentas que facilitem a sua compreensão e possibilitem mais satisfação na hora da sua compra.”
A pesquisa ainda se aprofundou um pouco mais nesse tema e quis saber qual serviço seria determinante para influenciar a escolha para essa troca. Para 59% das pessoas, a possibilidade de viagens expressas e maior facilidade na compra das passagens, o que envolve os meios de realizar a compra ou parcelamento, são significativos. Outro destaque é que apesar de o custo ser importante fator de escolha do passageiro, 73% deles pagariam um pouco mais por itens de bordo como lanche e kit viagem.
A concorrência com a aviação, inclusive, esteve presente no estudo. De acordo com os passageiros, as vantagens do ônibus em relação ao avião estão no preço, no embarque descomplicado e no conforto da viagem. Já em comparação ao carro, o fato de não se preocupar com gasolina, manutenção, pedágios e estacionamento, além de viajar descansando, foram lembrados pelos entrevistados.