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Nº 5756
Economia

Financeiras ter�o mais lucro em 2005

DIMITRI DO VALLE (FOLHAPRESS) Apesar da tendência de novas altas da taxa Selic, a aposta de que o consumo continuará aquecido faz financeiras e bancos projetarem para 2005 mais um ano de lucros no setor de empréstimo pessoal e crédito ao consumidor. Dad

Por | Edição do dia 23/01/2005 - Matéria atualizada em 23/01/2005 às 00h00

DIMITRI DO VALLE (FOLHAPRESS) Apesar da tendência de novas altas da taxa Selic, a aposta de que o consumo continuará aquecido faz financeiras e bancos projetarem para 2005 mais um ano de lucros no setor de empréstimo pessoal e crédito ao consumidor. Dados do Banco Central mostram que, de janeiro a novembro de 2004, foram concedidos R$ 11,705 bilhões em empréstimos com desconto em folha de pagamento, valor 89% maior do que o movimentado no mesmo período de 2003. Os juros praticados foram de 73,8% ao ano. O administrador Márcio Bandeira, especialista em investimentos da consultoria GRC Visão, afirma que o consumidor deve adotar cuidado, em 2005, ao tomar empréstimo com as financeiras. “A Selic é a taxa de captação das financeiras, que repassam a uma taxa muito superior [ao tomador do dinheiro]”, afirmou Bandeira. “Normalmente”, disse ele, a taxa usada no negócio “é o dobro da Selic”. O Banco Central elevou a taxa para 18,25% nesta semana. O país tem pouca tradição de poupar e adotou o crédito a prazo como principal opção para consumir. “O problema é que o consumidor de baixa renda precisa do bem e não encontra outra forma de financiamento”, diz. A Losango, uma das maiores financeiras do país, anunciou que pretende crescer 50% em 2005. Isso significa emprestar ao varejo e a pessoas físicas R$ 4,8 bilhões (em 2004, foram R$ 3,5 bilhões). Hoje, 20 mil lojas no país financiam suas vendas a prazo pela Losango. Até 2007, a empresa quer elevar sua representação a 32 mil estabelecimentos. O foco será nas classes C e D. O diretor-comercial da financeira, Rodrigo Caramez, diz que as projeções de lucro não são reflexo da alta da Selic. “Pensamos a médio e longo prazos, quando os juros devem voltar a cair”, afirmou. Mas reconheceu que “devido ao risco do negócio [em referência à inadimplência], ao custo das operações e à carga tributária”, o valor do dinheiro emprestado ainda é caro no Brasil. Segundo ele, dependendo da região do País, os juros aplicados poderão variar de 3,5% a 8,9% ao mês. O Banco do Brasil faz planos para crescer na área de microcrédito. Vai disponibilizar cerca de R$ 369 milhões neste ano, quantia 23% maior do que a emprestada nas cerca de 700 mil operações feitas em 2004. A instituição também quer ser uma alternativa às financeiras nas classes C e D. “Vamos cobrar taxas de 2% ao mês. Essas classes não têm acesso aos bancos e são exploradas pelas financeiras em balcão de loja com juros de até 8% ao mês”, diz Edson Monteiro, vice-presidente de Varejo e Distribuição do banco. Quem optar pela consignação (empréstimo com desconto em folha) pagará juros maiores, de 2,40% ao mês. O Banco do Brasil triplicou os recursos nessa área no ano passado. Se em 2003 emprestou R$ 546 milhões, no ano passado a quantia chegou a R$ 1,560 bilhão – cerca de 10% de tudo o que se descontou em folha de pagamento no Brasil.

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