app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5754
Economia

Pousadas promovem desenvolvimento sustent�vel

PATRYCIA MONTEIRO É comum imaginar que desenvolvimento econômico é fruto sobretudo de investimentos milionários de empresas de grande porte, que geram um número gigantesco de empregos diretos e indiretos. Mas, ao verificar a cadeia produtiva e alguns s

Por | Edição do dia 30/01/2005 - Matéria atualizada em 30/01/2005 às 00h00

PATRYCIA MONTEIRO É comum imaginar que desenvolvimento econômico é fruto sobretudo de investimentos milionários de empresas de grande porte, que geram um número gigantesco de empregos diretos e indiretos. Mas, ao verificar a cadeia produtiva e alguns setores econômicos é possível perceber o fôlego de gigante de alguns pequenos empreendimentos, principalmente quando estão articulados, organizados, agindo em parceria e com forte pensamento de grupo. Assim se pode definir o perfil e verificar algumas tendências que despontam nos negócios de turismo do Estado. Com nenhum complexo hoteleiro do porte semelhante ao do Costa do Sauípe no mapa e três resorts – o Hotel Jatiúca, o Venta Club (antigo Pratagy) e o Hotel Salinas – a grande oferta de leitos do Estado se dá entre as pousadas. Segundo números oficiais, obtidos na Secretaria de Turismo do Estado e também no Maceió Convention Bureau, há em Alagoas 163 pousadas, que dispõem de 2.066 unidades habitacionais que correspondem a 5.595 leitos. Excluindo as que estão localizadas no interior do Estado, pode-se dizer que há pelo menos 144 delas pontilhando toda costa litorânea do Estado. Só para se ter uma dimensão deste conjunto formado pelas pousadas de Alagoas, o complexo Costa do Sauípe, localizado a 70 km de Salvador, reúne 5 hotéis e 6 pousadas, numa área de 1,72 milhão de metros quadrados e oferece 617 unidades habitacionais que representam 3 mil leitos. E olha que esses números alagoanos devem estar ultrapassados. Pois, no caso do município de Paripueira, só para mencionar um exemplo, a lista oficial apresenta uma única pousada no roteiro turístico da cidade, sendo que, a olho nu, verificamos a existência de dezenas delas no município. A grande dificuldade é que a velocidade de abertura desses negócios quase que impede seus registros mais precisos. Não há estimativas oficiais sobre o número de empregos que este segmento hoteleiro gera no Estado. Mas, dependendo do perfil pequeno do empreendimento, ele pode gerar proporcionalmente o mesmo número de postos de trabalho que geraria um hotel de grande porte. Em um empreendimento padrão cinco estrelas, por exemplo, que precisa contar com uma equipe grande para poder dar um atendimento à altura das expectativas de um turista com um alto poder aquisitivo, conta-se com um funcionário para cada apartamento existente. Se o hotel tiver 100 apartamentos, para se manter no padrão precisa contratar cerca de 100 funcionários. A medida vai diminuindo conforme o padrão do empreendimento se torna mais modesto. Um hotel três estrelas tem 0,5% funcionários para cada apartamento, enquanto os de duas estrelas têm 0,3%. Quanto maior a comodidade oferecida, maior a necessidade de contratação de mão-de-obra. Essa lógica também domina o quadro de pessoal das pousadas de charme, por exemplo. Com uma proposta de oferecer uma atendimento personalizado, no qual o cliente é chamado pelo primeiro nome, as pousadas mais sofisticadas também contratam um funcionário para cada unidade habitacional. Na Pousada do Toque, por exemplo, são 21 funcionários, para doze alojamentos. Mas, em termos de aproveitamento de mão-de-obra local as pousadas são quase imbatíveis. No complexo hoteleiro Costa do Sauípe, cuja proposta inicial era de fazer um aproveitamento máximo dos trabalhadores onde o projeto se instalou, as expectativas iniciais não se confirmaram. Segundo tese de mestrado da especialista em turismo Rosalinda da Conceição Couto, da Fundação Getúlio Vargas, embora o empreendimento turístico tenha criado dois mil empregos, os nativos da região pouco foram aproveitados no quadro de pessoal dos hotéis de luxo do complexo. Na rede francesa Accor, que opera dos hotéis em Sauípe, houve contratação de 520 funcionários efetivos, entretanto apenas 30% são dos municípios vizinhos. Na rede americana Marriot, dos 383 contratados em Sauípe, apenas 39% faziam parte das comunidades do entorno.

Mais matérias
desta edição