Economia
EUA aumentam juros; d�lar e bolsa sobem no Brasil
São Paulo - O Federal Reserve (Fed), banco central americano, decidiu ontem elevar a taxa básica de juros do país para 2,25% ao ano. No Brasil, o dólar à vista fechou em alta de 0,22%, depois de leilões do Banco Central nos mercados à vista e futuro. A moeda americana chegou à máxima de R$ 2,635 (+0,95%) na ponta de venda, mas acabou por fechar a R$ 2,614 na compra e R$ 2,616 na venda. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) conseguiu aliar alta significativa com volume de negócios expressivo ontem. O Índice Bovespa fechou aos 24.605 pontos, com valorização de 1,89%. O volume financeiro foi de R$ 1,357 bilhão. As ações de energia elétrica foram as que mais subiram, com média de 3,4%. Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, as maiores altas foram de Transmissão Paulista PN (+7,1%) e Braskem PNA (+5,4%). As quedas mais significativas do índice foram de Embraer ON (-1,6%) e Brasil Telecom Participações ON (-1,5%). A elevação de 0,25 ponto percentual nos juros básicos americanos ficou dentro do esperado, assim como o teor da nota divulgada pelo Federal Reserve ao final da reunião. A leitura do mercado nacional é de que o Fed manterá o gradualismo na política monetária americana, sem necessidade de uma postura mais agressiva. Com isso, diminui o temor de uma migração de recursos aplicados em países emergentes. O outro assunto do dia foram os leilões de ?swap? (troca) do Banco Central, desta vez no caminho inverso dos leilões de tempos atrás, quando o dólar operava em alta. As operações começaram já nesta quarta, com a venda de 8 mil contratos de ?swap?, com vencimentos entre 2005 e 2008. A operação movimentou US$ 387,8 milhões e as taxas ficaram dentro do esperado. O BC alega que os leilões têm por objetivo acelerar a redução da dívida pública cambial, já que a instituição troca contratos cambiais em poder do mercado por contratos baseados em taxa de juros. Na prática, o BC passa a ser um comprador de dólares no mercado futuro, de onde vem a maior parte da pressão de venda do dólar. ?Somente mudanças que alterem a tônica externa poderão fazer o dólar se apreciar, já que essa é uma tendência global. Os leilões de ??swap?? não são capazes de contrariar movimentos dessa magnitude. Mas é claro que o BC, com esse posicionamento, contribui para suavizar essa tendência?, disse Alexandre Sant?Ana, analista da ARX Capital Management. Outro destaque do dia foi a divulgação de que o fluxo cambial no Brasil ficou positivo em US$ 1,3 bilhão em janeiro. A balança comercial teve superávit de US$ 2,1 bilhões em janeiro. O BC anunciou que comprou no mercado US$ 2,6 bilhões em janeiro, enxugando boa parte do excedente de dólares. A moeda americana caiu 1,66% no mês passado. O BC também promoveu ontem um leilão de compra de dólares diretamente no mercado à vista. A instituição comprou dólares por R$ 2,62. Segundo operadores, a puxada do dólar no período da manhã atraiu os exportadores, que venderam quantidades expressivas de recursos, contribuindo para a desaceleração da cotação. Risco Os títulos da dívida externa brasileira fecharam em leve baixa nesta quinta-feira, levando o risco-país subir ligeiramente. O C-Bond, principal papel nacional, terminou o dia em baixa de 0,18%, cotado a 102,18% do seu valor de face. O Global 40 cedeu 0,12%, a 115,40% do seu preço. O risco-país brasileiro, medido pelo EMBI+, do banco JP Morgan, subia 0,47% no final da tarde (2 pontos), para 423 pontos-base. Paralelo O dólar paralelo negociado em São Paulo fechou em queda de 1,34% ontem, cotado a R$ 2,84 na compra e R$ 2,94 na venda. No Rio, o paralelo fechou estável, a R$ 2,70 na compra e R$ 2,85 na venda. O dólar turismo de São Paulo subiu 0,72%, a R$ 2,61 e R$ 2,77 na compra e venda, respectivamente.