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Sal�rio baixo e longa jornada de trabalho igualam Brasil � �sia

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O economista Márcio Pochmann, especialista em trabalho, afirmou ontem que o Brasil adquire cada vez mais um padrão asiático de emprego, com salário baixo, instabilidade e grandes jornadas de trabalho. Ele criticou a flexibilização dos contratos de trabalho e disse que a renda tem diminuído bastante depois que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) passou a ser colocada em segundo plano. ?O Brasil tem baixo padrão de remuneração, que já se assemelha ao asiático. Entre 1993 e 2003, por exemplo, de cada 10 vagas abertas, nove eram para trabalhadores que ganhavam até 3 salários mínimos?, disse o economista. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a renda do trabalhador caiu 4,4% em 2004, passando de R$ 1.060 em dezembro de 2003 para R$ 1.013 em dezembro de 2004. O rendimento médio real do trabalhador em dezembro não pára de cair desde 1996, quando era de R$ 1.539. ?Está difícil repor as perdas salariais, mesmo em um período de baixa inflação. A renda hoje no Brasil sobe apenas por mecanismos institucionais, ou seja, pelo reajuste do salário mínimo ou por acordo coletivo. Falta, portanto, uma política salarial mais consistente?, afirmou Pochmann. Ele disse que, apesar de alguns sindicatos terem fechado boas negociações coletivas no ano passado, a renda do trabalhador não aumentou porque os reajustes ficaram concentrados em algumas categorias. Segundo Pochmann, pessoas com salários altos são substituídas por outras com salários mais baixos. Ele criticou a má distribuição de renda no Brasil e disse que a recuperação da economia, por si só, não é suficiente para elevar a renda do trabalhador. ?O Brasil não tem política de renda. Os ricos aumentam os seus rendimentos aplicando no mercado financeiro e ganhando com as taxas de juros, enquanto os miseráveis têm apenas o Bolsa-Família. A classe intermediária não tem assistência?, comentou. ?Os dados da pesquisa de emprego e desemprego do Dieese e da Fundação Seade mostram que o crescimento econômico é importante, mas não suficiente para elevar a renda do trabalhador. O Brasil precisa mudar a sua inserção na economia mundial, exportando produtos de maior valor agregado para elevar a renda do trabalhador?, afirmou.

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