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Renda cai e atinge sobretudo os mais ricos

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O primeiro ano do governo Lula foi marcado pela redução da desigualdade social, segundo a Síntese dos Indicadores Sociais, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, a redução da desigualdade em 2003 - aparentemente uma boa notícia- foi gerada por uma queda generalizada na renda da população e que atingiu, principalmente, as classes mais altas. A mudança no quadro de desigualdade social significou que os 10% mais ricos passaram a ganhar 16,9 vezes o rendimento dos 40% mais pobres em 2003. No ano anterior, os ricos ganhavam 18 vezes o total dos pobres. As regiões Norte e Centro-Oeste foram as que mais reduziram a desigualdade. Nelas, os mais ricos ganhavam 13,5 vezes e 16,1 vezes mais do que a parcela mais pobre da população, respectivamente. Mas essa redução da desigualdade não veio acompanhada do aumento do rendimento dos mais pobres. Em 2003, houve uma queda generalizada da renda de 7,5%. A diferença é que o rendimento dos ricos caiu 9%, enquanto o dos mais pobres recuou 3%. Os trabalhadores mais prejudicados pela queda no rendimento em 2003 foram os informais, os militares e os funcionários públicos. O rendimento médio do País passou de R$ 747,90 em 2002 para R$ 692,10 em 2003. Vale destacar que desde 1993, o rendimento mais alto do trabalhador foi obtido em 1996, quando ele chegou a ganhar R$ 853,15. As diferentes situações do mercado de trabalho por região e por regime de contratação tiveram peso significativo sobre a renda do trabalhador. Em 2003, o rendimento médio no Sudeste chegava a R$ 822,30. No Nordeste, não passava de R$ 409,40. Da mesma forma que os ganhos não são equânimes, as perdas de poder aquisitivo também mostraram diferenças entre regiões. Na região metropolitana de Belém, o trabalhador chegou a perder 20,9% no rendimento. No Rio Grande do Norte, a queda foi de 18,2% e na região metropolitana de Salvador, 17,3%. Quando se avalia os salários em razão da posição na ocupação, verifica-se que os trabalhadores informais, que já contam com remuneração bastante inferior aos de carteira assinada, arcaram com boa parte das perdas. A renda desses trabalhadores caiu 9,4% em relação a 2002. Os militares e os funcionários públicos tiveram queda de 9% na renda. Os empregados com carteira e os empregadores tiveram taxa de redução de 7,9%. A menor queda foi verificada nos trabalhadores domésticos, de 4,5%.

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