Economia
Cai abismo digital entre ricos e pobres, diz Bird
O ?abismo digital? entre países ricos e pobres está diminuindo rapidamente, segundo um estudo do Banco Mundial (Bird). O estudo avaliou a campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) para aumentar o uso e o acesso à tecnologia em países mais pobres. ?As pessoas nos países em desenvolvimento estão tendo mais acesso em uma velocidade incrível, muito mais rapidamente do que no passado?, diz o relatório. Mas um porta-voz do Fórum Mundial da Sociedade de Informação da ONU disse que o ?abismo digital? ainda continua muito real. Metade da população mundial tem hoje acesso a telefone fixo, e 77% têm acesso à rede de telefonia celular, segundo o relatório. Os resultados encontrados pelo estudo estão acima da meta do Fórum, segundo a qual 50% da população teria de ter acesso a telefone em 2015. A ONU tem esperanças de que a ampliação do acesso a tecnologias como celulares e Internet vai ajudar a erradicar a pobreza. ?Os países em desenvolvimento estão alcançando os ricos em termos de acesso (a rede de celulares)?, diz o estudo. ?A África faz parte de uma tendência mundial de adoção rápida, e isso se aplica a países pobres e ricos, reformulados ou não, africanos, asiáticos, europeus e latino-americanos?. Financiamento ?O abismo digital é algo bastante real e precisa ser resolvido?, disse um porta-voz do Fórum, em Genebra. ?É preciso encontrar algum financiamento para reduzir esse abismo?. Na última terça-feira, o Fórum chegou a um acordo para criar o Fundo de Solidariedade Digital. ?O Fundo é voluntário e vai ajudar a financiar projetos baseados em comunidades locais?, disse o porta-voz. Segundo a proposta acordada, os provedores privados de tecnologia podem fazer uma contribuição ao Fundo de 1% dos contratos que fecharem. O mecanismo exato de financiamento será detalhado nos próximos dias. De acordo com a proposta, 60% dos recursos coletados pelo Fundo ficarão disponíveis para projetos em países menos desenvolvidos, 30% para projetos em países em desenvolvimento e 10% para projetos em países desenvolvidos. Tecnologia nacional No Brasil, os investimentos do governo federal em de-senvolvimento e aquisição de software e hardware devem chegar, até 2009, a US$ 1,2 bilhão. O resultado soma os valores gastos com tecnologia a partir de 2004. No ano passado, o total investido foi de US$ 634 milhões - crescimento de 9% sobre o valor de 2003. Os dados são da consultoria Frost & Sullivan, que também indica necessidades primárias do governo nessa área por falta de recursos disponíveis. Órgãos relacionados a assuntos fiscais e orçamentários são os que apresentam maior desenvolvimento tecnológico. Um dos objetivos do governo, afirma o relatório da empresa, é otimizar custos com comunicação nos próximos anos. Longa distância ?Os investimentos na área de tecnologia são descentralizados e cada órgão decide o que fazer com o seu orçamento. Por isso, muitas instituições não são interligadas e usam as chamadas de longa distância para se comunicar, elevando os custos que poderiam ser minimizados com o desenvolvimento de redes?, afirma Alex Zago, analista de pesquisa da Frost & Sullivan. Outra tendência é a adoção do software livre - a economia com programas de código aberto foi de US$ 10 milhões em 2003. Segundo o estudo, até o final de 2005, 30% dos PCs do governo devem utilizar o software livre. Outra estratégia utilizada para reduzir despesas é a realização de leilões virtuais reversos. A área de inclusão digital deve ganhar força nos próximos anos. Os telecentros, por exemplo, devem passar de 3.000 [número aproximado de unidades atualmente] para 10 mil em 2007.