Economia
Consumo de fam�lias estimula crescimento econ�mico
O consumo das famílias também exerceu papel relevante no crescimento da economia, com alta de 4,3%, a maior taxa acumulada em 12 meses desde o primeiro trimestre de 2001. Com o aumento da oferta de crédito - impulsionado por novas modalidades como o empréstimo com desconto em folha - o consumidor se sentiu mais confiante para fazer compras a prazo. A melhora do mercado de trabalho também teve influência sobre o consumo. Em 2004, o desemprego chegou a 9,6% em dezembro, a menor taxa desde o início da série histórica. Já a massa salarial, segundo o IBGE, teve alta de 1,5% no ano passado. Os investimentos tiveram expressivo crescimento de 10,9% em 2004, segundo o IBGE. Trata-se da maior alta desde o terceiro trimestre de 1997. Para o economista-chefe do banco Schahin, Cristiano Oliveira, consumo das famílias e investimentos foram a receita para o crescimento do PIB no ano passado. A economista-chefe do BES Investimento, Sandra Utsumi, ressalta as melhorias estruturais como a aprovação da Lei de Falências, das PPPs (Parcerias Público-Privadas) e da retirada dos investimentos públicos do cálculo do superávit primário. Segundo Utsumi, essas modificações criaram um cenário de investimentos mais favorável. No quarto trimestre, no entanto, eles começaram a perder fôlego. Segundo o economista do JP Morgan, Fábio Akira, a queda pode ser comprovada pela redução do ritmo de produção de máquinas e equipamentos para a agricultura. ?Os preços das commodities começaram a cair, o que gera uma freada nos investimentos neste setor. Além disso, a queda pode estar relacionada ao ciclo de aperto monetário?, disse ele em relação aos seis aumentos de juros promovidos desde setembro, que elevaram a taxa básica para 18,75% ao ano no mês passado. O impacto sobre o consumo só não foi maior, conforme o analista, porque a recuperação do mercado de trabalho conseguiu compensar o efeito do ciclo de aumento de juros. O grande motor do desempenho econômico em 2003 também influenciou positivamente a economia brasileira no ano passado: as exportações. Segundo o IBGE, as vendas ao exterior cresceram 17,9% em 2004. ?O impacto delas no crescimento não foi tão forte como em 2003, mas ainda assim elas superaram bastante as projeções?, afirmou Akira. ?O mundo cresceu a taxas consideráveis, possivelmente o melhor desempenho desde as vésperas do 11 de Setembro, o que trouxe um cenário bastante positivo para as exportações?, afirmou Utsumi. Apesar da perspectiva de crescimento em 2005, analistas são unânimes em afirmar que a economia não deverá repetir o resultado do ano passado. As previsões para o PIB entre os economistas ouvidos variam de 3,4% a 4,2%. O cenário econômico de 2005 reserva características bastante diferenciadas das do ano passado. Na indústria, a expectativa é de que o setor de bens não-duráveis, como roupas e alimentos, passe a liderar a expansão. Isto porque existe um ciclo no endividamento das famílias. Além disso, a valorização do real frente ao dólar deve ter impacto negativo sobre as exportações.