Economia
Um em cada dez brasileiros cr� na economia
A avaliação do consumidor sobre a situação econômica do País e de suas próprias finanças piorou, revela pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Esta é a primeira vez desde abril do ano passado que a fundação identifica uma piora na confiança, com ênfase, principalmente, em aspectos como mercado de trabalho, poupança e intenções de compras. A FGV afirma, no entanto, que o conjunto de respostas é similar ao de dezembro e avalia o resultado como ?acomodação?. Para o coordenador da pesquisa, Aloisio Campelo, o consumidor começou a sentir o efeito do ciclo de aumento dos juros, iniciado em setembro do ano passado. Além disso, há também um componente sazonal: janeiro costuma ser o mês de melhores expectativas sobre o futuro e avaliações mais otimistas do presente, com isso, os resultados de fevereiro tendem a apresentar queda. As principais dúvidas apresentadas pelos entrevistados se referem às perspectivas de crescimento da economia e à capacidade de gerar mais e melhores ofertas de emprego. ?Depois de viver tantos vôos de galinha, o consumidor desconfia que a recuperação do mercado de trabalho possa cessar?, disse. Apenas 10,3% dos entrevistados afirmam que será mais fácil encontrar emprego nos próximos seis meses. Em janeiro, 14% apostavam num cenário melhor. O percentual dos que crêem que será mais difícil passou de 45,4% para 47,3%. Segundo Campelo, mesmo que a pesquisa tivesse sido elaborada após a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto), que cresceu 5,2% no ano passado, a influência seria pequena. ?O resultado afetaria os extratos mais altos de renda?, disse. A situação econômica do País em relação aos últimos seis meses foi avaliada como ?melhor? por apenas 18% dos consumidores. Em janeiro, este percentual era de 24,7%. O sentimento de que o auge do crescimento ficou em 2004 afetou também a percepção quanto às próprias finanças. Apenas 17,7% dos consumidores afirmam que a situação econômica da família melhorou nos últimos seis meses. Em janeiro, este resultado chegava a 21,3%. O número de endividados cresceu, principalmente entre as famílias de renda mais alta. Para Campelo, a concentração de impostos como IPTU, IPVA e os reajustes de mensalidades no início do ano exerceram uma pressão maior sobre o orçamento das famílias. Em fevereiro, 26,3% dos consumidores disseram que estavam endividados. Em janeiro, esse percentual era de 23%. A disposição para a compra de bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, tem apresentado queda desde a metade do ano passado. O percentual de consumidores dispostos a gastar mais nos próximos meses passou de 17,9% em julho para 11,9% em fevereiro. Segundo o coordenador da pesquisa, a mudança pode ser atribuída à capacidade de endividamento e à alta dos juros.