Economia
Custo da licen�a-maternidade � baixo, diz OIT
Brasília ? Que as mulheres, em geral, ganham menos do que os homens, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra todo mês na pesquisa de emprego. Também é senso comum que muito disso tem a ver com preconceito no mercado de trabalho. Mas a crença que costuma justificar essa diferença é o fato de a mulher carregar a possibilidade de ter um filho e de, portanto, contar com direitos que a tornam mais cara para o empregador. Certo? Errado, diz um estudo de duas pesquisadoras da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a brasileira Laís Abramo e a chilena Rosalba Todaro A OIT apresentou na última sexta-feira a conclusão de um estudo que deverá ser publicado em breve e segundo o qual o custo adicional das empresas no período em que as mulheres estão em licença-maternidade é apenas 2% superior ao normal com a funcionária em serviço na média de cinco países da América Latina: Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e México. No Brasil, o custo das empresas sobe apenas 1,2%. Segundo os economistas da OIT, esta é a prova de que este grande benefício às trabalhadoras não é um encargo trabalhista que sufoque as empresas e não justifica qualquer ação discriminatória à mulher no mercado de trabalho. Elas recebem em média 30% menos do que os homens, disparidade que, perversamente, aumenta à medida que as mulheres ficam mais qualificadas. O estudo intitulado ?A situação da mulher no mundo do trabalho e o papel da OIT? mostra, ainda, que a desigualdade e a discriminação de gênero e raça no Brasil não são fenômenos restritos a minorias ou a grupos específicos da sociedade, mas sim as suas grandes maiorias. ?As mulheres e a população negra, em conjunto, constituem a ampla maioria da População Economicamente Ativa (PEA). Em 2003, as mulheres representavam 42,7% e a população negra, 46,4%; somados, correspondem a aproximadamente 70% da PEA?, diz o relatório. O estudo foi divulgado em coletiva de imprensa que contou com a presença do diretor da OIT no Brasil, Armand Pereira.