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Grendene demite 600 funcion�rios no CE

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A Grendene, uma das maiores indústrias de calçados do País, já demitiu 600 funcionários desde janeiro na fábrica de Fortaleza (CE), uma de suas principais unidades. O número supera o total dos cortes de todo o ano passado (578) e representa 18% da força de trabalho no local. A informação é do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados do Estado do Ceará, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT). O dado foi obtido com base na contagem de rescisões trabalhistas homologadas. Procurada pela reportagem, a assessoria da Grendene evitou confirmar os cortes. ?A empresa alegou uma redução nas encomendas dos clientes. Em média, por semana, 60 funcionários perdem o emprego na fábrica da Barra do Ceará [bairro no extremo oeste de Fortaleza], que tem agora 2.800 empregados. Antes eram 3.400?, disse o representante do sindicato, Paulo Juarez Alves Gomes. Atualmente, os fabricantes de calçados culpam o dólar barato pela onda de demissões no setor. Eles explicam que o produto brasileiro ficou caro no exterior, afugentando pedidos dos clientes. No mês passado, a moeda norte-americana chegou a ser negociada pelo valor mínimo de R$ 2,55. Em setembro do ano passado, estava na marca de R$ 3. Em 2002, com a crise eleitoral, chegou a encostar em R$ 4. Segundo a assessoria da Grendene, a empresa elevou em 2004 o número de funcionários em todas as suas fábricas no Ceará (Fortaleza, Sobral e Crato) e no Rio Grande do Sul (Farroupilha e Carlos Barbosa). Passou de 21,5 mil empregados em 2003 para 23,2 mil no fim do ano passado. ?Esclarecemos que existem períodos do ano em que ocorrem diminuições no efetivo da companhia, voltando a contratar mais adiante?, citou a empresa, sem confirmar as últimas demissões, em resposta ao pedido de comentário pela reportagem. Recentemente, a Abicalçados (associação do setor calçadista) estimou que já ocorreram 4.000 demissões em pólos como Franca (SP) e Vale do Rio dos Sinos (RS), prevendo mais 15 mil cortes em março e abril devido à queda nas exportações. Reflexo na bolsa A perspectiva de redução das vendas externas de calçados já prejudica o desempenho das ações da Grendene na Bolsa de Valores de São Paulo. O papel da companhia começou a ser negociado, com euforia (alta de 12%) e pompa (desfile da apresentadora Xuxa), no pregão do dia 29 de outubro do ano passado.

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