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Economia

Da feira livre para lojas especializadas em m�veis

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VITÓRIA ALCÂNTARA Há dez anos José Felício Gomes, 44, abandonou o emprego como comerciário para se tornar um pequeno empresário. Com coragem e criatividade, Felício começou a confeccionar e vender estofados em feiras livres de municípios próximos a Arapiraca, cidade onde mora. Nesta década como empresário, Felício conquistou clientes em todo o Estado e nos últimos anos aumentou de 11 para 44 o quadro de funcionários de sua fábrica. Os Móveis Charme continuam sendo vendidos em feiras livres, mas também são comercializados em lojas especializadas. Sem nunca ter feito um estofado com as próprias mãos ? Felício sempre delegou esta função a marceneiro - o pequeno empresário orgulha-se de sua trajetória. ?Faço produtos populares que são vendidos em feiras livres, mas sei que meus estofados têm qualidade. Quando estão nas lojas nem parece que são populares?. José Felício Gomes faz parte do grupo de 268 micros e pequenos empresários de Arapiraca e Palmeira dos Índios que serão beneficiados diretamente pelos trabalhos realizados pelo APL Movelaria. ?Participando do APL vi que poderia dar uma melhorada nos meus estofados e foi o que fiz. Hoje crio os móveis ou copio os que vejo na televisão, jornais e revistas. Os negócios melhoraram e em abril de 2004 ampliei o quadro de funcionários, hoje trabalho com 44 pessoas?, destaca Felício. Piscicultura A consolidação da piscicultura no Delta do São Francisco, que compreende nove municípios alagoanos, por meio do aumento sustentável da produção é o objetivo do APL Piscicultura. De acordo com o presidente da Cooperativa dos Piscicultores da região, Luiz Galindo Barros, as metas do Arranjo são realistas. ?As metas não foram fantasiosas, eles querem aumentar a produção e o número de produtores (que passaria de 200 para 300 até 2006)?, afirma. Galindo considera que atualmente o mercado no Delta do São Francisco está bom e exemplifica: ?Vendo 99% da minha produção, que é de uma tonelada e meia de peixe por semana, em Penedo. Mesmo assim só consigo atender a um terço deste mercado. Os produtores de Propriá (SE) comercializam as outras três mil toneladas por semana. Em Penedo a demanda é grande?, ressalta. A produção da região é basicamente de tambaqui e tilápia. O tambaqui, por ter espinha e não ser muito conhecido no mercado externo, é geralmente preterido pelos piscicultores. Já a tilápia, que tem grande aceitação no exterior, não tem espinhas e é facilmente industrializada, ganhou a preferência dos produtores do Delta do São Francisco. ?Depois da carpa, que é bastante produzida na China e no Japão, a tilápia é o peixe mais conhecido do mundo?, diz Galindo. A expectativa da coordenação estadual do Programa de Arranjos Produtivos Locais (PAPL) é de que até 2006 entre em funcionamento no município de Porto Real do Colégio o Centro de Referência em Aqüicultura do São Francisco (Ceraqua-SF), que daria suportes técnico e tecnológico aos produtores do APL de toda a região, inclusive de municípios de Sergipe. Antes disso, deve ser instalada em Penedo uma indústria de beneficiamento. ?Esta indústria frigorífico terá sala para processar novos produtos a partir do peixe. A Prefeitura de Penedo já tem em caixa R$ 500 mil para a obra. Restam de R$ 800 mil a R$ 1 milhão?, explica Galino. *** Informática também recebe incentivo Quando o Arranjo Produtivo de Tecnologia de Informação começou a ser formado a expectativa da coordenação estadual do programa era de que existiriam cerca de 30 empresas de tecnologia da informação ? que trabalham com hardware, desenvolvimento de softwares, vendas de equipamentos, serviços e ensino tecnológico - atuando em Alagoas, mais especificamente em Maceió. A surpresa dos técnicos foi grande quando após os primeiros levantamentos eles se depararam com 80 empresas da área no Estado. O objetivo deste APL é incrementar a economia digital de Maceió, revertendo os benefícios em ações de qualificação, aumento de faturamento, competitividade e integração das empresas e organizações deste Arranjo. Atualmente, segundo o presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Software, Tecnologia da Informação e Internet em Alagoas (Assepro-AL), Washington Andrade, 43 empresas fazem parte deste APL. ?A força do APL nos surpreendeu. O gestor (Sergey Passos) conduz bem os trabalhos e quando há algo que poderia ser diferente nós falamos e ele tenta melhorar?, diz Andrade. Uma das vitórias alcançadas pelo APL Tecnologia de Informação foi a redução de 17% para 7% do ICMS cobrado sobre as vendas de hadware (equipamentos). ?Esta redução feita pelo governo do Estado foi muito importante para os empresários de Alagoas porque em Pernambuco e Sergipe o percentual já é de 7%?, destaca Andrade. Para o diretor-administrativo da Couper Informática, Almir Cota, o APL pode avançar muito mais. ?Acredito que o setor está se conscientizando da importância do trabalho que está sendo realizado. Precisamos avançar na busca de incentivos fiscais e na mudança da carga tributária, pois pagamos impostos como se fôssemos grandes empresas?, afirma Cota. *** Projeto pretende transformar Jaraguá em pólo de negócios O que vem chamando atenção dos membros da Rede de Discussão sobre os Arranjos Produtivos Locais no Brasil é o APL Cultura em Jaraguá. Este arranjo local alagoano é desenvolvido de forma pioneira no País e pretende fortalecer o bairro histórico de Jaraguá para torná-lo pólo de negócios tendo a cultura alagoana como principal foco. Para isto, objetiva-se desenvolver o empreendedorismo na região. De acordo com a gestora do projeto, Catarina de Labouré, 237 pessoas, entre micros e pequenos empresários, produtores culturais e artistas, fazem parte deste APL. ?Em todo o País nós só temos um APL parecido com o Cultura em Jaraguá, que é o da Música em Pernambuco. Mas aqui lidamos com música, museus, bares, restaurantes, boates. O que mais chama atenção neste APL é a mobilização dos diversos segmentos beneficiados?, destaca a gestora. O principal desafio neste arranjo é encontrar a ?afinação? certa entre os empreendedores e o poder público, neste caso a Prefeitura de Maceió. ?Nós contamos com a adesão da Fundação Municipal de Ação Cultural e com a Secretaria Municipal de Turismo. Estamos sendo procurados por empresas de grande porte, mas é preciso haver um reforço na adesão dos setores do âmbito público, como por exemplo, com infra-estrutura e segurança?, afirma Catarina de Labouré.

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