Economia
Capacita��o garante espa�o no mercado
VITÓRIA ALCÂNTARA Os Arranjos Produtivos Locais (APLs) buscam integrar instrumentos públicos e privados de modo que estes contemplem a capacitação de empresários e trabalhadores; inovação científica e tecnológica; promoção comercial; crédito e financiamento e serviços administrativos e de infra-estrutura. A democratização destas ações pode colocar em pé de igualdade empreendedores que sozinhos não teriam condições de competir no mercado. É o caso do produtor de queijo coalho Ailton Tomáz Albuquerque. Ailton tem uma pequena propriedade em Cacimbinhas, a 175 quilômetros de Maceió, e há quase sete anos se dedica à produção de laticínios. Ele já tentou produzir queijo do sertão e mussarela, mas sem dominar a técnica não conseguiu chegar ao ponto certo e amargou alguns prejuízos nesta empreitada. Hoje, Ailton produz apenas queijo coalho, mas não desanimou com a experiência malsucedida e pretende, ainda este ano, produzir iogurte. ?Minha situação melhorou bastante com o APL. Hoje sei que a qualidade do produto é muito importante. O que foi passado pelos consultores me deu confiança. Estou reformando minha fábrica, já adquiri formas em inox, dois freezeres e tenho três funcionários?, afirma. Um exemplo de inovação também vem de Cacimbinhas: a produção de laticínios orgânicos. Por mês, a Fazenda Timbaúba produz aproximadamente 50 mil litros de leite que se transformam em queijo coalho, iogurte e manteiga. Os produtos são comercializados nos supermercados e padarias de Maceió e em alguns pontos do Recife (PE) e de Salvador (BA). ?Para produzir os orgânicos não utilizamos nenhuma substância química no pasto ou no rebanho. O queijo coalho, a manteiga e o iogurte não têm nenhum aditivo químico, como corantes e aromatizantes, por exemplo?, explica o diretor-comercial da fazenda, Osmando Xavier. Um dos desafios do APL de Laticínios, que atualmente tem 200 micros e pequenos produtores cadastrados em oito municípios do Sertão, segundo o gestor do projeto, Gaspar Abreu Vanderlei, é tirar da informalidade a maioria dos produtores. ?Do universo de 200, apenas 15 são empresas devidamente registradas. Cinco estão em processo de regularização e as demais continuam na clandestinidade. Estamos trabalhando para que todos possam entrar na formalidade. Porque assim é possível obter o Selo de Inspeção Fiscal do Ministério da Agricultura, por exemplo?, ressalta Gaspar Abreu. O APL de Laticínios também tem como metas aumentar o faturamento e a produção dos empreendedores, organizar a comercialização do produto ? atualmente grande parte do queijo coalho alagoano é vendido em Pernambuco praticamente a preço de custo, que varia de R$ 3,80 a R$ 4,00 ? e a padronização e higienização dos produtos. *** Sertão terá duas microusinas para beneficiamento de leite de cabra No sertão do Estado também são desenvolvidos os Arranjos Produtivos de ovinocaprinocultura e apicultura. O APL da ovinocaprinocultura pretende atender até 2007 dois mil produtores em 21 municípios. O objetivo deste arranjo é desenvolver o agronegócio familiar ampliando a produção de leite e de carne para a comercialização. Este ano devem ser instaladas duas microusinas de beneficiamento de leite de cabra, em municípios da área de atuação do APL, além de um abatedouro frigorífico em Delmiro Gouveia. A previsão da coordenação do programa é de que dentro de dois anos quatro abatedouros estejam funcionando na região. Os produtores também estão recebendo capacitação sobre o manejo correto dos animais, a fim de preservar a pele dos bichos, que também pode ser negociada. A idéia é lançar mão de recursos simples mas eficazes, como a substituição do arame farpado por outro tipo de material que não causa dano à pele do animal, caso ele tente passar pelas cercas. Apicultura O APL da Apicultura visa atender 210 produtores em até dois anos, colocando-os na cadeia produtiva. Nos últimos anos, de acordo com a coordenação estadual do PAPL, ocorreram alguns avanços no setor. Dados da coordenação mostram que em 2003 a produção alagoana de mel foi de 13 toneladas, no ano seguinte houve uma queda acentuada na produção, que teria sido motivada pela desativação de várias colméias. Mas nos três meses deste ano a produção chegou a 30 toneladas de mel. Em 2005 estão garantidas, conforme a coordenação do programa, duas casas de mel, que funcionarão como entrepostos. O objetivo é construir mais cinco casas de mel até 2007. Turismo O Arranjo Produtivo Turismo na Costa dos Corais e na Região das Lagoas tenta consolidar o litoral norte de Alagoas e os municípios banhados pelas lagoas Mundaú e Manguaba em destino turístico no Estado. Os resultados esperados com as ações desenvolvidas no Litoral Norte e na região das lagoas, que atendem 300 e 650 empresários e artesãos, respectivamente, são a elevação da taxa de ocupação média anual em 50% e o aumento dos dias de permanência do turista em hotéis e pousadas de 1,5 para 3,0 até dezembro de 2007. A coordenadora estadual do PAPL, Solange Viegas, explica que o APL Turismo na Costa dos Corais tem avançado bastante porque nos últimos dez anos ações de vários programas vêm sendo realizadas na região. ?Temos no Litoral Norte pousadas e hotéis de boa qualidade e que seguem as regras do programa de alimento seguro. Em Maragogi temos o Centro de Informações Turísticas e a sinalização turística para os municípios deste APL já está em fase de licitação na Secretaria de Infra-estrutura?, diz Solange Viegas. Ela destaca no APL Turismo Região das Lagoas, o pólo de artesanato, com destaque para o Pontal da Barra, e o pólo gastronômico, em Massagueira e Barra Nova. ?No segundo semestre deste ano estaremos promovendo o I Festival Gastronômico da região?, diz.