loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
terça-feira, 28/07/2026 | Ano | Nº 0
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Arranjos produtivos incentivam neg�cios em AL

Ouvir
Compartilhar

VITÓRIA ALCÂNTARA Imagine viajar de férias para um dos municípios do litoral norte de Alagoas, ficar hospedado num hotel ou pousada que siga rigorosos padrões de qualidade tanto no atendimento, quanto nos serviços; ter a oportunidade de adquirir o artesanato feito na região, descansar em estofados confeccionados sob medida, saborear um filé de tilápia ou um carneiro guisado com uma porção generosa de farinha e, de quebra, ainda ter de sobremesa o legítimo mel de abelha com queijo coalho, orgânico ou não. E no final de sua estada, ao fechar a conta no hotel, perceber que todo o sistema de informática utilizado pelo estabelecimento tem tecnologia genuinamente alagoana. Ao final de suas férias, você contribuiu para que micros e pequenos empresários de Alagoas continuem tocando seus empreendimentos, gerando postos de trabalho e desenvolvendo a região onde atuam. O exemplo acima pode parecer utopia para muita gente, mas há um grupo de pessoas em Alagoas que acredita ser possível torná-lo realidade. Para isso vem sendo desenvolvido no Estado, desde o final de 2003, o Programa de Arranjos Produtivos Locais, o PAPLs, que tem a coordenação do governo do Estado, por meio da Secretaria Executiva de Planejamento e Orçamento (Seplan) e Sebrae-AL. Longa caminhada O desafio não é pequeno e os coordenadores do PAPL sabem disso. É necessário que produtores, micros e pequenos empresários alagoanos saiam da informalidade, ultrapassem as barreiras da falta de qualidade e da distribuição precária e consigam comercializar seus produtos de forma competitiva nos mercados interno e externo. ?É uma longa caminhada?, reconhece o diretor-técnico do Sebrae, Osvaldo Viegas. Inicialmente foram identificados 27 potenciais Arranjos Produtivos Locais (APLs) no Estado. Este número foi reduzido para 15 e finalmente chegou-se a dez APLs que abrangem 56 municípios e nove setores econômicos: turismo ? dividido em Costa dos Corais e Lagoas -, movelaria, piscicultura no Delta do São Francisco, ovinocaprinocultura, apicultura, laticínios, tecnologia da informação e cultura em Jaraguá. Este último é pioneiro no Brasil. *** Estado possui dez APLs A coordenação do programa previa para este ano o acréscimo de mais cinco arranjos ? pinha, milho, turismo no Litoral Sul, piscicultura em Xingó e floricultura tropical -, mas de acordo com a secretária-adjunta de Planejamento, Vânia Veloso, optou-se por manter os dez APLs iniciais. ?Não estamos visando quantidade. Nosso objetivo é a maior qualidade dos Arranjos Produtivos existentes?, afirma. A secretária-adjunta da Seplan, Vânia Veloso, acredita que o Programa de Arranjos Produtivos Locais pode mudar a realidade de milhares de micros e pequenos que hoje estão à margem do processo produtivo. ?Tenho verdadeira esperança que o programa pode e vai mudar a cara de Alagoas. Acredito que por meio dele é possível tirar da exclusão as pessoas que forem inseridas nos Arranjos Produtivos?, destaca. De acordo com o diretor-técnico do Sebrae, Osvaldo Viegas, o PAPL beneficiará diretamente, até 2007, cerca de 27 mil produtores, micros e pequenos empresários que estão inseridos nos Arranjos Produtivos. Segundo ele, se levarmos em consideração as pessoas que indiretamente também serão beneficiadas, esse número sobe para cerca de 100 mil pessoas. Este ano devem ser investidos no programa aproximadamente R$ 21 milhões. Mas nem tudo são flores neste processo. Alguns produtores reclamam que estaria havendo centralização de ações e verbas em município pólos e da falta de apoio do poder público. O produtor de farinha de mandioca de Girau de Ponciano, José César da Silva acredita no Arranjo Produtivo da Mandioca, mas faz algumas ressalvas. ?O APL em si é uma tábua de salvação para a cultura da mandioca na região agreste alagoana. A gestora local do programa, Inês Nogueira, se esforça para conseguir resultados positivos. Mas é preciso descentralizar as ações e as verbas que acabam ficando em Arapiraca. Além disso, apesar de a cultura da mandioca gerar cerca de 26 mil empregos de agosto a abril todos os anos, falta respeito do poder público ao pequeno produtor?, avalia José César da Silva. A coordenadora estadual do programa no âmbito do governo do Estado, Solange Viegas, afirma que não há centralização de ações e verbas. ?As primeiras ações, como as capacitações, foram realizadas em Arapiraca. Mas no decorrer das atividades haverá ações nos outros municípios deste APL?, esclarece. Segundo dados da coordenação estadual do Programa de Arranjos Produtivos Locais, o APL da Mandioca deve atender até 2007 cerca de 20 mil produtores de 12 municípios do Agreste. A previsão para este ano é de que a fábrica de fécula (amido da mandioca) entre em funcionamento até setembro. De acordo com Solange Viegas, a fábrica é de vital importância para este APL porque vai ajudar a agregar valor ao produto, já que a fécula pode ser um dos ingredientes do pão. ?Além disso, queremos aumentar o volume de mandioca processada e de casas de farinha na região?, salienta a coordenadora. O presidente da Associação dos Beneficiadores de Mandioca do Agreste, Renildo Moura, avalia que o APL da Mandioca é mais voltado para a fecularia e não para a produção de farinha. Mas este fato, segundo ele, não impede que produtores e beneficiadores sejam contemplados pelo programa. ?Conseguimos o crédito presumido por meio do APL e, graças a isto, pela primeira vez estamos vendendo farinha para Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Tivemos em 2003/2004 uma safra recorde e baixamos de 70% para 50% o a quantidade de farinha produzida em Alagoas, mas beneficiadas em outros estados, como Pernambuco e Sergipe?.

Relacionadas