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Exporta��o de manufaturados cresceu em 2004

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NILSON BRANDÃO JUNIOR (AE) Os produtos manufaturados vendidos ao exterior pelo Brasil tiveram o maior ganho de preços em 2004 dos últimos nove anos. O aumento em dólar foi de 6% e representou injeção adicional de US$ 2,3 bilhões nas exportações destes produtos. A tendência ficou mais forte ainda em janeiro, com aumento de 12%. A aceleração de preços ajuda a compensar a perda da rentabilidade da exportação com o câmbio mais fraco. Nesta queda de braço, as empresas mais inovadoras e com produtos diferenciados conseguem melhor chance de negociação. Levantamento da Fundação Centro de Estudos em Comércio Exterior (Funcex), mostra que o último aumento acima do nível de 2004 foi de 15,2%, em 1995, ano em que o real estava muito valorizado. Nos anos de forte desvalorização cambial, como 1999 e 2002, houve movimento inverso: quedas nos preços dos manufaturados, de 10,7% e 4,6%, respectivamente. Quando o real está mais desvalorizado a margem das exportações fica maior ? o oposto do que ocorre atualmente. Recomposição O ex-secretário de Política Econômica e sócio da MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros, conta que exportadores, principalmente com mais tradição de comércio exterior, estão conseguindo renegociar preços em dólar, em alguns casos, de até 15%. Ele explica que há empresas negociando com parceiros comerciais uma forma de recompor custos crescentes e o câmbio em baixa. Na época em que o câmbio chegou perto da barreira dos R$ 4,00, no segundo semestre de 2002, eram os importadores que pediam desconto. Agora, o quadro é outro. ?As empresas que têm condições de ajustar preços estão fazendo isso?, confirma o economista da Funcex, Fernando Ribeiro. Ele avalia, contudo, que os ganhos nos preços dos manufaturados não é generalizado: tem sido mais puxado pelas empresas que atuam com produtos mais diferenciados. O fato de o comércio internacional estar aquecido também favorece os repasses de preços. Conhecida por ser uma das empresas mais internacionalizadas do País, a Weg, baseada em Jaraguá do Sul (SC), começou a negociar aumentos em dezembro e trabalhou em novas negociações em janeiro e fevereiro deste ano. ?Este aumento já realizamos, para tentar recompor a rentabilidade?, contou o presidente da Weg, Décio da Silva. ?O problema não é apenas o dólar. Junto com isso houve aumento generalizado de matérias-primas e commodities, como o cobre e o aço?, diz o executivo, que não precisou as variações de preços adotadas. Por conta do cenário, a empresa busca, também, aumentos de produtividade, corte de despesas e aposta em itens de maior valor agregado. Parte da rentabilidade com as exportações se mantém, contudo, porque um terço das exportações vai para a Europa. No setor calçadista, por conta do dólar desvalorizado, as empresas também estão tentando reajustar preços entre 10% e 15%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). ?Há um movimento na indústria e a gente está analisando qual espaço vai ter em preço. Realmente, caiu a rentabilidade?, limita-se a comentar a gerente de relações com investidores da Grendene, Doris Wilhelm.

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