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Queda no c�mbio amea�a controle da infla��o

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MÁRCIA DE CHIARA (AE) Apesar da relativa estabilidade do custo de vida no primeiro bimestre deste ano, novas pressões de preços já fizeram acender sinal de alerta quanto ao comportamento da inflação nos próximos meses. A quebra da safra de grãos, a tendência de desvalorização do câmbio e os índices ainda elevados de reajustes do preços administrados corrigidos pelos IGPs (os índices gerais de preços) são fatores que já preocupam os economistas especializados. No primeiro bimestre, a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preço ao Consumidor) acumula alta de cerca de 1,2%. Para atingir a meta de 5,1% para este ano seria preciso ter uma inflação 0,4% ao mês até dezembro. ?A meta de 5,1% traçada para este ano é intangível e não adianta o Banco Central continuar subindo os juros básicos?, afirma o economista Fábio Silveira, sócio da MSConsult. Ele observa que, há duas semanas, as análises não contemplavam a quebra da safra de grãos, especialmente dos produtos voltados para o mercado doméstico, como arroz, milho e feijão. Com a estiagem que afetou essas lavouras, a perspectiva é de que rapidamente se inicie a entressafra dos alimentos, período marcado pela menor oferta de produtos e preços elevados. No IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) de março, por exemplo, o Índice de Preços por Atacado (IPA) agrícola subiu 1,40% e já deu sinais de que o campo não vai contribuir para o arrefecimento da inflação. A perspectiva é de o IPA agrícola feche o mês com alta de 2%, prevê Silveira. ?Não é só o preço do ovo que pressionou a inflação, a soja e o café estão subindo?, ressalta. O economista lembra também que o efeito baixista do câmbio nos preços está no fim. ?Com a expectativa de declínio nos juros e saldos comerciais menores, deve se exaurir o benefício do câmbio?. Outro fator apontado como preocupante é o índice de correção dos preços administrados, que é o IGP. Até fevereiro, o IGP-M acumula alta de 11,43% em 12 meses. Silveira destaca que esse indicador não deverá ceder até maio e junho por causa da própria pressão dos preços agrícolas. ?Com isso o reajuste dos preços administrados será mais robusto?. Para complicar, o ritmo da atividade econômica, apesar de ter arrefecido nos últimos meses, segundo pesquisas de produção industrial recentemente divulgadas, continua crescente. Esse é um fator que, na opinião do economista, abre caminho para que os repasses de aumentos de preços para o consumidor ocorram.

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