Economia
Ressaca p�s-Copom faz d�lar cair 1,59% cotado a R$ 2,72
O dólar encerrou em queda de mais de 1% ontem, a R$ 2,72, por conta de ingressos de recursos depois da elevação da taxa básica de juros. O cenário externo, que impunha cautela pela manhã, mostrou certo alívio e também abriu espaço para que a moeda norte-americana recuasse. Da mesma forma, o fato de o Banco Central não ter comprado dólares nesta sessão ajudou a tirar a pressão do mercado. No fechamento, a queda foi de 1,59% (na mínima do dia a moeda chegou a ceder 1,66%, para R$ 2,718). ?Acho que o mercado estava esperando a decisão dos juros para entrar e colocar dólares?, afirmou Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora. Na quarta-feira, o BC elevou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 19,25 por cento, em linha com a previsão da maioria dos economistas. De acordo com Jorge Knauer, gerente de câmbio do banco Prósper, o movimento de venda de dólares pode ter sido respaldado pela visão de que pode haver novo aumento da Selic em abril (o que atrairia mais recursos para o Brasil). ?O mercado pode estar entendendo que a taxa de juros vai subir mais e continuar elevada por mais tempo. Se você tiver essa visão, vale a pena fazer arbitragem com juros e vender dólares neste nível?, disse o gerente. Pela manhã, o mercado abriu um pouco mais pressionado, com os investidores atentos ao novo recorde dos preços do petróleo e ao mercado de dívida. O contrato de petróleo em Nova York atingiu 57,60 dólares o barril nesta sessão. Os outros fatores de pressão da manhã, no entanto, acabaram oferecendo uma trégua na parte da tarde e abriram espaço para o dólar cair. O risco-Brasil, medido pelo JP Morgan, que subia pela manhã, inverteu o rumo e passou a cair 6 pontos no fim da tarde, para 425 pontos-básicos sobre os títulos do Tesouro norte-americano. O rendimento dos Treasuries também cedeu levemente ao longo do dia. Segundo Miriam, da AGK, ?o cenário externo ainda é desfavorável com o petróleo alto. De manhã, o pessoal ficou um pouco mais cauteloso, mas depois acabou colocando os dólares que tinham no mercado?. Furlan O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, disse ontem, de Londres, acreditar que a subida da taxa de juros pelo Banco Central esteja chegando ao fim. ?Nós estamos chegando a um patamar de juros que vai possibilitar a convergência da meta da inflação?, afirmou, durante seminário na Embaixada brasileira. O ministro evitou criticar o Banco Central pelo novo aumento, anunciado na quarta-feira, que elevou a taxa Selic de 18,75% para 19,25%. Na decisão, o Comitê de Política Monetária (Copom) não dá nenhuma indicação de que a trajetória de alta esteja chegando ao fim. ?Acho que cada um no governo tem uma tarefa que foi dada pelo presidente Lula. E eu respeito a tarefa que foi dada ao Banco Central, e acho que eles têm de perseguir as metas que foram colocadas?. Bovespa O fluxo positivo mais uma vez deu as cartas no desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo, que fechou ontem depois de cair com força pela manhã. O principal indicador da bolsa paulista, o Bovespa, avançou 0,93%, para 28.085 pontos. Na mínima do dia, entretanto, caiu quase 2%. O volume financeiro ficou em R$ 1,5 bilhão, abaixo da média do mercado. Mas a queda do rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano incentivou a compra de ações, principalmente por parte de investidores estrangeiros, que buscavam retornos maiores em outros ativos, como os de países emergentes. O índice Dow Jones Titans 20, dos 20 principais papéis de empresas brasileiras negociados na Bolsa de Nova York, disparou 2,90%.