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Economia

Brasileiro trabalha mais para ir ao cinema

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Depois de a revista ?The Economist? usar um sanduíche do McDonald?s como indicador econômico, uma mera ida ao cinema também pode ser usada como critério para avaliar o poder aquisitivo dos consumidores. E, de acordo com um relatório divulgado semana passada pela Screen Digest, empresa de consultoria especializada na mídia audiovisual, o Brasil é um dos países onde os espectadores mais sofrem para sentar-se em frente à tela de cinema: o País ocupa apenas o 40º lugar na lista que leva em conta o número de minutos necessários para um trabalhador ganhar dinheiro suficiente para comprar um ingresso, ficando atrás de vizinhos como Chile, Venezuela e Argentina. Os cálculos da Screen Digest estabelecem que o brasileiro precisa trabalhar 68,1 minutos para garantir um lugar na sala de projeção, acima da média mundial de 57 minutos. Na lista de 52 nações analisadas pelo estudo, a liderança é ocupada pela Índia, em que, apesar de os ganhos por hora serem o equivalente a 70 centavos de dólar, o preço dos ingressos é de apenas 19 centavos, fazendo com que o indiano em média precise de apenas 16 minutos no batente para garantir um espaço na sala de projeção. Os EUA vêm em segundo, com seu poder aquisitivo (US$ 15,20/hora) compensando o ingresso caro (US$ 6), cujo preço é atingido em apenas 23 minutos. A China, com 25,7 minutos, ficou em terceiro lugar, à frente de Luxemburgo (27,4) e Irlanda (29,9), ao passo que o Reino Unido aparece apenas em 11º lugar, com 35,4 minutos. Em termos de América do Sul, é no Chile que o público sofre menos para comprar um ingresso (49 minutos). Na Venezuela, trabalham-se 60,3 minutos e, na Argentina, 65. O estudo da Screen Digest leva em conta dados de 2003 e, para seu coordenador, David Hancock, o principal objetivo é mostrar um quadro geral do preço do entretenimento em várias partes do mundo. ?O cinema é um meio de comunicação mais do que difundido pelo mundo, o que nos permite usá-lo para fazer uma comparação sobre o poder aquisitivo em diferentes países e, principalmente, identificar problemas em mercados interessantes para a indústria cinematográfica, como a Europa Oriental, por exemplo?, analisa Hancock. E a região é a mais problemática da classificação da Screen Digest. Na Polônia, por exemplo, precisa-se trabalhar 95,8 minutos para se comprar um ingresso, e mais de duas horas (122,7 minutos) na Bulgária. Mas mesmo em escolas tradicionais do cinema a situação nem sempre é a ideal. A Itália, por exemplo, ficou em 34º lugar na lista, com 56,4 minutos.

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