Economia
Petrobras pode deixar de atuar na Bol�via
A Petrobras está aguardando uma consolidação sobre o problema da cobrança de tributos na Bolívia para tomar qualquer decisão com relação ao problema, afirmou o diretor financeiro da estatal, José Sérgio Gabrielli. Segundo ele, não há ainda uma análise formal da empresa sobre a possível elevação dos tributos de 18% para 50% na produção de gás. ?Vamos aguardar. Não há nada que possamos fazer agora?, disse. Na semana passada, a Câmara de Deputados da Bolívia aprovou a elevação do tributo, assunto que está agora sendo discutido pelo Senado e ainda terá que passar pelo crivo do presidente Carlos Mesa. Ontem, a secretária de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Maria das Graças Foster, avaliou que a situação é preocupante e pode ameaçar a continuação das atividades das empresas que atuam no setor naquele País. A Petrobras é a maior empresa da Bolívia, com participação de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) daquele país. A maior preocupação se deve ao fato de o Brasil importar 20 milhões de metros cúbicos diários de gás da Bolívia, de um total de 30 milhões de metros cúbicos consumidos. Mas, em recente entrevista, o diretor Gabrielli havia explicado que o aumento de custo no gás boliviano não deve chegar ao consumidor final no Brasil, porque há um contrato de 30 anos que garante o mesmo preço durante o período vigente. Segundo Gabrielli, à época o aumento dos tributos será repassado pela Petrobras, enquanto exploradora das reservas do gás para a YPBF, a distribuidora estatal boliviana, responsável pela venda do combustível à TBG, empresa que cuida do transporte do produto para o Brasil. As ações da Petrobras foram as que mais se valorizaram entre as companhias de petróleo nos últimos dois anos, na Bolsa de Nova York, com alta de 228% entre janeiro de 2003 e fevereiro de 2005, passando de US$ 14 para US$ 46 no período. ### Petrobras e Eike Batista negociam Termoceará Depois de recorrer à arbitragem internacional para tentar solucionar o impasse com a MPX, do empresário Eike Batista, a Petrobras recuou e anunciou que volta a negociar diretamente com a empresa para a aquisição da Termoceará. A estatal e a empresa assinaram Termo de Compromisso suspendendo a arbitragem e os processos judiciais em curso para negociar uma transação que visa à aquisição da usina termoelétrica. A MPX não comentou o assunto e disse que o acordo não significa que haverá a compra da empresa. A negociação será feita num prazo de 90 dias. Em nota, a Petrobras chega a citar o valor da compra, que seria de US$ 137 milhões. Nesta quantia está incluída a parcela depositada em juízo pela Petrobras, no valor aproximado de US$ 5 milhões. ?A finalização dessas negociações faz parte da estratégia da estatal para o setor de energia, que prevê o aumento de sua capacidade de geração térmica somente por meio da conclusão de projetos já em andamento ou por aquisição que signifique redução de pagamentos contingenciais?, explicou a nota. O impasse com a MPX é o mesmo que a Petrobras tem com a El Paso, referente à térmica Macaé Merchant. Pelo contrato com as térmicas de tipo merchant, a Petrobras tem a obrigação de pagar parcelas mensais para garantir o retorno do empreendimento, mesmo que a térmica não seja acionada. O diretor de Gás e Energia da estatal, Ildo Sauer, disse recentemente que o valor pago para ambas as unidades já teria superado todos os investimentos feitos.