Economia
Embratel vai usar rede da NET para telefonia
A Embratel vai usar a infra-estrutura da NET para oferecer telefonia em locais onde estão instalados os cabos da empresa de TV por assinatura. A informação foi dada pelo presidente da operadora, Carlos Henrique Moreira, em palestra à Câmara de Comércio Americana (Amcham). O projeto para isso já está sendo elaborado, mas não há previsão de data para começar a ser oferecido. O objetivo do grupo mexicano Telmex, que agora é acionista das duas companhias e controla também a operadora de telefonia móvel Claro, ?é no sentido de ter uma oferta completa? na área de telecomunicações no Brasil, afirmou. Com o aumento de capital de US$ 700 milhões que está promovendo, ?a Embratel vai ser bastante competitiva e forte?, disse Moreira. Ele contou na apresentação que os recursos reduzirão a dívida da empresa. Moreira não quis dar declarações a respeito, mas a operadora estuda também fazer novos investimentos com parte dos recursos. A Embratel continuará atuando principalmente em longa distância, serviços de satélites e transmissão de dados. Na telefonia local, seu foco é o mercado corporativo, onde já tem grandes empresas como clientes e quer chegar às de pequeno porte. No residencial, a operadora considera difícil concorrer com a Telefônica, a Telemar e a Brasil Telecom em suas respectivas áreas por elas terem a infra-estrutura de redes herdada do antigo sistema Telebrás chegando às residências das pessoas. Aí entra a infra-estrutura da NET. Com ela, a Embratel poderá atender ?mais a classe mais alta, onde a rede de cabos chega?. Moreira considera ?um sonho, uma ilusão? a possibilidade de essas três concorrentes da empresa que comanda permitirem o uso da rede delas pela Embratel, mesmo mediante pagamento e por força de regulamentação, o chamado unbundling. É uma posição que contrasta com a da administração anterior da empresa, que considerava o unbundling essencial. Ele acredita, também, que deva ser regulada a transmissão de voz pela Internet, que torna possível conversas a distância sem telefone. ?Isso tem que ser regulado porque mexe com o tamanho do negócio (das operadoras de telefonia)?, disse. ?Pode ter uma influência muito grande na receita da indústria (de telecomunicações)?, afirmou. O executivo declarou, ainda, estar preocupado com o projeto de lei sobre as agências reguladoras que está tramitando no Congresso Nacional. ?Podemos ter um retrocesso nessa área?, disse. Ele considerou ?um avanço?, a criação, na década de 90, da Agência Nacional de Telecomunicações, que teve a função de regular por conta de critérios técnicos, mais distante dos fatores políticos ligados ao governo. Para ele, o ideal é ?não mexer com a estrutura legal que está aí, só aprimorá-la?.