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Brasileiro busca empr�stimo, apesar de juros

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Despesas com compra de material escolar, pagamento de matrícula e de taxas como IPTU e IPVA levaram os consumidores a aumentar a procura por empréstimos neste início de ano. Em fevereiro, o total emprestado às pessoas físicas chegou a R$ 120,8 bilhões, um crescimento de 3,2% sobre janeiro. Nos primeiros dias de março, o aumento já era de 2,1%. Isso ocorreu apesar de a taxa de juros média sobre operações de crédito haver atingido, em fevereiro, a marca de 64% ao ano, a mais alta desde fevereiro do ano passado, como mostra levantamento divulgado pelo Banco Central (BC). Os empréstimos com desconto em folha e aqueles concedidos aos aposentados ajudaram a aumentar o bolo do crédito, somando R$ 13,6 bilhões. Mas, nesses empréstimos, a taxa de juros é mais baixa: 39,4% ao ano, contra 75,3% cobrados nos demais empréstimos bancários às pessoas físicas. A maior procura por empréstimos, uma tendência que já se mantém há vários meses, estimulou os bancos a tentarem aumentar seu lucro. ?Podemos observar isto claramente pelo comportamento do spread bancário (diferencial entre as taxas de captação de recursos de terceiros e as cobradas nos empréstimos)?, disse o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes. O diferencial de taxas, de acordo com ele, vinha apresentando uma tendência clara de queda desde o início do ano passado até julho, quando passou a entrar numa trajetória de alta, só interrompida em dezembro. O volume de empréstimos em consignação (com desconto em folha e para aposentados) faz com que as sucessivas altas de juros decretadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) tenham impacto menor sobre o custo dos empréstimos bancários do que já se verificou no passado. ?O segredo disso é que há hoje maior mobilidade das pessoas entre diferentes modalidades de crédito?, disse Lopes. O chefe do Depec destacou, em especial, o incremento dos empréstimos com desconto em folha feitos por aposentados do INSS. Depois de fechar fevereiro em R$ 3,570 bilhões, estas operações já haviam alcançado a marca dos R$ 4,254 bilhões na última parcial de março. Esses empréstimos são apontados por analistas como um mecanismo que vai na direção contrária da pretendida pelo BC ao elevar a taxa de juros básica da economia: conter o consumo. Economistas consideram que essa contradição tem obrigado o Banco Central a ser ainda mais rigoroso com os juros. Outra conseqüência desses empréstimos é dificultar a queda no custo das operações de crédito. De acordo com o BC, a alta dos juros registrada em fevereiro deverá continuar em março. Os dados dos primeiros nove dias úteis de março indicaram que a tendência de encarecimento do crédito ainda não havia se esgotado. Pelos números parciais, as taxa de juros cobradas dos consumidores já teria batido nos 64,2% de fevereiro do ano passado, ficando, com isso, abaixo apenas dos 65,4% de janeiro de 2004. ?Esses são dados preliminares. Não é possível dizer ainda se esta tendência será mantida até o fim do mês. Temos de aguardar?, ressaltou o chefe do Depec. Apesar deste crescimento nos empréstimos, o chefe do Depec avaliou que o ritmo de aumento da oferta de empréstimos ao público já vem mostrando sinais de acomodação. ?No início do processo de retomada do crescimento econômico, nós já tivemos taxas mais elevadas de expansão do crédito?, afirmou, ao explicar que a mudança é um reflexo direto do aperto monetário feito pelo Copom desde setembro. Os sinais de acomodação, segundo Lopes, deverão ficar mais claros a partir de abril. Em março, ainda temos o efeito do aumento do crédito provocado pela necessidade das pessoas de obterem os recursos necessários ao pagamento de tributos e despesas escolares. A partir de abril, isto já diminui bastante?, disse.

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