Economia
Estiagem amea�a de novo safra de milho
VITÓRIA ALCÂNTARA A falta de chuva anda tirando o sono dos agricultores alagoanos que pretendem plantar milho este ano. Apelando para a fé ou para a ciência, a previsão é de sol para as próximas semanas. No último dia 19, quando católicos comemoraram o Dia de São José e os produtores aguardavam com ansiedade a chuva que abriria o período de plantio, poucas nuvens se formaram no céu do Sertão e Agreste do Estado. Dados do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) repassados para a Secretaria Executiva de Agricultura prevêem chuvas na região somente para a segunda quinzena de maio, o que atrasaria o plantio em mais de um mês, já que o período de plantação indicado pelo zoneamento agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para áreas não irrigadas vai de 10 de abril a 20 de junho, e colocaria em risco a safra 2005 do grão no Estado. Mas estiagem é apenas um dos obstáculos que precisam ser superados pelos produtores de milho alagoanos. Se o clima ajudar e a chuva vier no tempo certo e com regularidade, os produtores precisam correr contra o tempo para obter financiamento, aumentar a produtividade e, finalmente, colocar no mercado um produto que tenha competitividade. De acordo com diretor de Extensão Rural e Desenvolvimento Agropecuário da Secretaria Executiva de Agricultura, Hibernon Cavalcante, há em Alagoas uma demanda de 250 mil toneladas de milho por ano. Segundo Cavalcante, mesmo nos anos em que o Estado conseguiu suas maiores safras, a produção atendia cerca de 50% desta demanda. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que a maior safra do Estado ocorreu em 2000, quando Alagoas produziu 116,9 mil toneladas do grão. ?Na Região Nordeste, o único Estado auto-suficiente na produção de milho é a Bahia (em 2000, quando Alagoas produziu 116,9 mil toneladas, a Bahia teve uma safra de 1.013 milhão de tonelada). Se Alagoas conseguisse produzir para atender a sua demanda ainda poderia vender milho para os demais estados da região?, afirma Cavalcante. Protocolo Em 2004, um protocolo de intenções foi celebrado entre a Secretaria de Agricultura, bancos e grandes consumidores de milho do Estado. O protocolo estipulava em R$ 23 o preço mínimo da saca (60 quilos) que seria comercializada pelos produtores. Mas, segundo Cavalcante, o protocolo não foi integralmente cumprindo porque estados como Mato Grosso, Bahia e Paraná tiveram supersafras e o preço do milho caiu em todo o País. Em Alagoas, apesar do protocolo, as sacas chegaram a ser comercializadas a R$ 19. ?Os produtores alagoanos não chegaram a ter prejuízo, mas a margem de lucro diminui. Com isto, a tendência para 2005 é de que a área plantada seja menor que a do ano passado?, ressalta Cavalcante. ### Distribuição de sementes Em 2005 serão distribuídas pela Secretaria Executiva de Agricultura 180 toneladas de sementes de milho para a agricultura familiar em Alagoas. A previsão da Secretaria para o custo de produção em 2005 é de R$ 1288 por hectare. Este valor se refere ao plantio tecnificado, que é quando há seleção, por meio de pesquisa, de semente, adubo e agrotóxico adequados para o plantio em determinado tipo de solo. ### Linhas de crédito Os bancos do Brasil e do Nordeste têm linhas de financiamento para produtores de milho. Em 2004 os valores financiados foram: Banco do Brasil R$ 1,55 milhão para grandes produtores R$ 3,17 milhões para a agricultura familiar Banco do Nordeste R$ 1,086 milhão para produtores de modo geral