Economia
Brasil pretende investir em tecnologia
Agência estado Brasília A alta carga tributária e as deficiências de infra-estrutura de telecomunicações são apontadas como entraves para que empresas multinacionais com filiais no Brasil desenvolvam seus própri-os centros de serviços em tecnologia da informação e produção de software. Ainda assim, elas consideram que há potencial para a terceirização desses serviços se desenvolver no País. Estima-se que as vendas exter-nas no setor girem em torno de US$ 400 milhões ao ano e que as importações cheguem a US$ 1 bilhão. O secretário de Tecnologia Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Roberto Jaguaribe, disse que o governo é o primeiro a admitir as deficiências e que resolvê-las é uma das prioridades da política industrial para o setor. A meta é ampliar as exportações brasileiras de software e serviços para US$ 2 bilhões em 2007. Uma das metas de política industrial é transformar o Brasil em centro exportador de serviços em tecnologia - como administrar centros de processamento de dados de outras empresas, de forma terceirizada. Jaguaribe divulgou um estudo que investigou as chances de concretizar esse objetivo. Foram ouvidos 39 executivos de grupos transnacionais que, em dezembro, se reuniram com o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, para avaliar o potencial do segmento no Brasil. Entre as multinacionais ouvidas estão Volkswagen, Nestlé, Monsanto, IBM, Cargill, Daimler-Chrysler e Procter&Gamble. Segundo a Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), que ajudou na aplicação da pesquisa, se pelo menos 200 empresas multinacionais desenvolvessem no Brasil centros de tecnologia de informação, seria possível reduzir essas importações em pelo menos US$ 400 milhões por ano. Das 39 empresas ouvidas sobre uma possível produção doméstica de software e serviços, 57% afirmaram que os custos brasileiros são competitivos, principalmente em relação à mão-de-obra, e 14% apontaram a legislação trabalhista, os encargos e a alta carga tributária como obstáculos concretos ao projeto.