Economia
Setor pretende avan�ar na venda de planos corporativos
O setor de previdência privada ainda comemora os benefícios trazidos pela Lei nº 11.053, que estimulou a poupança de longo prazo ao instituir alíquotas regressivas do Imposto de Renda, mas já está de olho em novos desafios para o futuro. Pelo menos, esta parece ser a visão do presidente da Associação Nacional da Previdência Privada (Anapp), Osvaldo do Nascimento, que declarou que agora o setor precisa se concentrar no desenvolvimento dos planos empresariais, classificados por ele como ?principal força do mercado de previdência privada?. As declarações foram feitas durante o XIX Workshop da Anapp, realizado em São Paulo na última semana e no qual as empresas do ramo debateram os efeitos práticos da nova legislação tributária. Dados Segundo dados divulgados pela Anapp, o setor possuía 122,99 mil planos empresariais em fevereiro deste ano, enquanto o número de carteiras individuais chegava a 6,78 milhões no mesmo período. Apesar de representar apenas 1,80% da quantidade total de planos abertos no mercado, a modalidade corporativa respondeu por 26% das captações de fevereiro, o que comprova sua importância para a categoria. FGTS O próximo passo do setor, visando à expansão dos planos empresariais, é convencer o governo a permitir que as companhias destinem parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) recolhido para um fundo de previdência complementar a ser criado. Segundo Nascimento, estes repasses ocorreriam somente mediante aportes de quantias equivalentes por parte dos funcionários. Considerado pelo presidente da Anapp uma das únicas maneiras de ampliação das carteiras sem que haja mais ônus para as empresas, este mecanismo funcionaria de forma similar ao sistema que permite pessoas físicas comprarem ações com recursos do FGTS. De acordo com Nascimento, o fundo previdenciário seria melhor ainda, pois exigiria a contrapartida do funcionário, ampliando, assim, o capital alocado para investimentos de longo prazo. Ainda no sentido de viabilizar a expansão dos planos empresariais, o presidente da Anapp acha importante o setor acompanhar de perto o tratamento dado pelo Governo à Previdência Social, inclusive sugerindo e cobrando novas etapas da reforma. Nascimento afirma que os gastos previdenciários das companhias são muito altos, chegando a 20% de sua folha de pagamento, o que elimina o espaço onde a previdência privada poderia crescer.