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Cr�dito a aposentados chega a R$ 50 mi

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PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Os investimentos industriais privados ou projetos de desenvolvimento não podem explicar a dinâmica verificada nos últimos 11 meses da Pesquisa Mensal do Comércio, feita pelo IBGE, porque estes não aconteceram nos dois últimos anos no Estado. ?Nem se deve ao consumidor que está com ?confiança no mercado? ou estimulado pela ?estabilidade de preços??, diz o economista Cícero Péricles de Carvalho, professor do departamento de Economia, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Na sua opinião, estas são respostas limitadas sobre o desempenho alagoano no varejo. ?Essa taxa extraordinária - de 21% - nos dois primeiros meses de 2005 tem uma razão muito clara, que é o aumento da renda dos setores mais pobres da população, pelo viés da combinação do novo crédito popular e das políticas públicas?, diz em consonância com o economista do IBGE. ?A entrada em vigor, desde 2003, do crédito consignado para os trabalhadores com carteira assinada, funcionários públicos, e, depois, para os beneficiários da Previdência Social, colocou uma massa enorme de dinheiro nas mãos de uma parte da população carente de consumo, com uma forte demanda reprimida. Aliado ao empréstimo consignado, chegou também o crédito popular ao consumo na rede oficial, com empréstimos de até 600 reais. Esse dinheiro é um dos elementos-chave para entender a explosão de consumo, que vem desde março do ano passado?, analisa Cícero Péricles. A seu ver, a segunda força vem das políticas públicas, que impacta principalmente na população chama excluída dos estados mais pobres. O exemplo mais evidente é o da Bolsa-Família. Em Alagoas, 220 mil famílias são assistidas, recebendo, anualmente, mais de 200 milhões de reais no bolso de pessoas absolutamente carentes. ?A Previdência Social, que cobre 300 mil beneficiários, coloca no mercado uma renda de mais de um bilhão de reais por ano e as políticas federais de educação e saúde, que transferem recursos consideráveis, de quase meio bilhão de reais por ano, o que reforça esta renda sem produção, movimentando o comércio alagoano, colocando-o numa das posições mais dinâmicas neste setor?, afirma o economista. força do crédito Em estados mais desenvolvidos economicamente, talvez o impacto do crédito consignado não seja tão significativo. Mas, para economias como a de Alagoas sua influência pode ser transformadora. No último levantamento feito pela Dataprev ? Empresa de Tecnologia e Informações da Prvidência Social ? mostra que o Estado somou mais de R$ 50 milhões em empréstimo, com desconto em folha, aos aposentados e pensionistas do INSS. Foram mais de 25 mil operações de crédito, atingindo cerca de 10% do total de beneficiários do sistema que é de 242 mil (ver tabela). Parece pouco mais não é. Só para se ter uma idéia da importância desse montante financeiro na economia alagoana, ele seria relativo a toda remuneração paga ao conjunto de cortadores de cana-de-açúcar na última safra que girou em torno dos R$ 55 milhões. ### 62% dos créditos em AL vão para quem ganha 1 mínimo No início, nem a equipe econômica do governo Lula botava fé. Mas a Central Única dos Trabalhadores se empenhou, até que o crédito consignado foi oficializado. Primeiro, ele atingiu empregados de carteira assinada vinculados à iniciativa privada. Depois vieram os funcionários públicos e só em abril do ano passado passou a ser concedido para os beneficiários do INSS também. O sucesso da empreitada foi tão grande e seu potencial de crescimento é tão animador que os bancos privados, que também torceram o nariz na fase inicial, estão de olho no empréstimo com desconto em folha. A inadimplência é inexistente e os riscos baixos, por isso as taxas de juros dos empréstimos também são baixas. No Banco do Brasil os juros são de 1,5%, enquanto na Caixa Econômica Federal vão de 1,75% a 2,6%. Entretanto, há taxas extras que os bancos cobram pela adesão ao crédito que oneram a operação de empréstimo e o consumidor precisa ficar atento. De acordo com Edsom Holanda, gerente de mercado da Caixa Econômica Federal em Alagoas, normalmente as instituições financeiras emprestam um volume financeiro compatível com a capacidade financeira do cliente. ?Os valores das parcelas não devem ultrapassar 30% dos rendimentos do consumidor?, explica. Holanda lembra que quanto maior o prazo maiores os juros e que o cliente deve pesquisar bastante antes de aderir a qualquer plano de empréstimo. A Caixa é a líder no ramo, detendo 40% do crédito consignado aos aposentados. No Brasil, os bancos autorizados pelo INSS a concederem empréstimos consignados são: Alfa Financeira; Banco do Brasil; BGN; BMC; BMG; Bonsucesso; Cacique; Caixa Econômica Federal; Cruzeiro do Sul; HSBC; Matone; Mercantil do Brasil; Panamericano; Paraná Banco; Paulista; Pine; RS Crédito Financiamento e Investimento; Schahin; Sul Financeira; Unibanco; Votorantim e, mais recentemente, o Santander. Em Alagoas, a grande maioria dos clientes deste tipo de crédito tem rendimentos de 1 salário mínimo, cerca de 62% deles. O segundo maior contingente, 12,46% ganha até 2 salários mínimos mensais. Esses dois estratos já contraíram cerca de R$ 27 milhões até o momento. I PM

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