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Palocci diz que torce por corre��o suave

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FOLHAPRESS O ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) disse na última sexta-feira a investidores internacionais nos EUA que ?reza?? para que os desequilíbrios da econômica mundial sejam corrigidos de forma suave, sem que isso afete o Brasil. Em caso de um ajuste abrupto, afirmou que os emergentes como o Brasil ?vão sofrer??. ?A gente reza para que esses ajustes sejam feitos de forma ordenada. Certamente, se eles não forem ordenados, o impacto que representam para os países emergentes, em particular o Brasil, que tem uma liquidez muito grande no mercado de títulos de dívidas, será, certamente... de algum impacto??, disse. ?Se houver ajustes desordenados, abruptos e forçados pelo mercado, os emergentes vão sofrer. É uma questão concreta.?? O comentário foi uma resposta a perguntas de investidores em encontro paralelo à reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI)), em Washington. Na sexta-feira, pelo segundo dia consecutivo, o humor do mercado financeiro em relação aos países emergentes azedou, aumentando a percepção de risco em relação a vários países. Também as bolsas no Brasil e no mundo caíram. Ressaltando aos investidores que é médico, não economista, Palocci usou metáforas da sua antiga área. ?Estamos fazendo o possível para melhorar nossa saúde e musculatura, fortalecendo o organismo para evitar que chuvas e trovoadas provoquem gripes ou doenças mais graves. E há muitos elementos que mostram que nosso organismo está mais resistente a eventuais choques externos.?? Palocci citou a alta gradual que o Fed (o banco central dos EUA) vem fazendo nos juros nos últimos seis meses (subiram de 1% ao ano para 2,75%) como exemplo de ?mudança planejada??. ?Esse foi um teste para a saúde da economia brasileira. Nesse período, o risco Brasil caiu??, disse. Palocci citou as exportações anuais de US$ 100 bilhões, o superávit em conta corrente de 2% do PIB e a queda de 40% para 7% no total da dívida em moeda estrangeira como exemplos de melhora das condições brasileiras. ### Mudanças com prudência À tarde, depois de encontro com o secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, Palocci se reuniu com o diretor-gerente do FMI, Rodrigo de Rato, e com o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn. Ele afirmou que o Brasil (que não renovará o atual acordo com o Fundo) quer discutir com os dois órgãos ?mecanismos de acompanhamento para mudanças prudentes?? nos desequilíbrios globais ?sem efeitos negativos para os emergentes??. Entre os principais problemas, Palocci citou o déficit fiscal recorde nos EUA, a falta de reformas estruturais na Europa e a política de câmbio fixo da China. Questionado sobre as previsões do FMI para o crescimento do Brasil em 2005 - de 3,7%, abaixo da média mundial de 4,3%, afirmou: ?Ninguém tem bola de cristal sobre esses números. O importante é que o País cresça muitos anos seguidos. Essa é a maior preocupação do empresário que vai investir??, disse. Palocci defendeu também a política de juros altos. Afirmou que o Brasil não pode trabalhar agora com metas de inflação abaixo de 2% ao ano sem impacto sobre o crescimento. ?E metas entre 5% e 8% ao ano são consideradas escorregadias. Por isso, temos de estar vigilantes??, afirmou. Em Nova York, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que agora é hora de ?esperar?? para ter uma análise mais clara do que vai acontecer, mas fez questão de ressaltar que o Brasil está muito bem preparado para o futuro. Segundo ele, que hoje mesmo foi a Washington, o País ?aproveitou os últimos dois anos?? para elevar suas reservas e fortalecer a economia. Apesar de dizer que o BC segue atento à turbulência das bolsas, disse que ?isso faz parte da evolução natural dos mercados??.

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