Economia
Para FMI, �frica � o continente dos grandes contrastes
AGÊNCIA FOLHA O continente africano visitado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana teve, em 2004, a maior taxa de crescimento per capita em mais de uma década e projeta para os dois próximos anos um aumento do PIB superior a 5% ao ano. Os prognósticos otimistas do FMI, porém, estão longe de resolver marginalmente os problemas da região. Os 47 países da África subsaariana estão na contramão do resto do mundo nas últimas quatro décadas, quando houve um aprofundamento dos níveis de pobreza entre seus quase 690 milhões de habitantes. A região é a única no mundo onde o número de pessoas vivendo sob extrema pobreza, com menos de US$ 1 ao dia, quase que dobrou entre o início dos anos 80 e 2004. O desempenho positivo do ano passado e as previsões para os dois próximos estão lastreadas, principalmente, nos preços do petróleo em alta e na melhora da situação macroeconômica em vários países. A Nigéria, por exemplo, que é grande produtora de petróleo, tem uma previsão de crescimento de 7,4% neste ano. Para o FMI, a região dificilmente conseguirá atingir o objetivo de reduzir a pobreza à metade até 2015. Desde os anos 90, 15 dos 47 países africanos vêm crescendo de forma consistente acima de 6% ao ano. A média da região é menor do que 3%. Para reduzir a miséria pela metade até 2015, o país deveria estar crescendo há anos mais de 7%.