Economia
Cresce n�mero de empregos formais
| GERALDA DOCA O Globo O número de trabalhadores com carteira assinada cresceu em março e teve um saldo positivo de 102.965 novos postos. Este é o segundo melhor resultado para o mês desde o início da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho (Caged), em 1992, perdendo apenas para março de 2004, quando foram criados 108.212 postos. Em fevereiro de 2005, o mercado abriu 73.285 postos formais. Segundo os dados do Caged, no primeiro trimestre deste ano já foram abertas 292.222 vagas formais. O setor que mais se destacou no mês passado foi o de serviços, que empregou 54.136 trabalhadores, seguido pela indústria de transformação, com 17.959, e o comércio, com 13.962. Nos últimos doze meses, o grande destaque na geração de empregos continua sendo a indústria de transformação, que teve crescimento de 7,82%. Segundo o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, os dados de março indicam que, embora num ritmo menor do que no ano passado, o desempenho do mercado de trabalho continua positivo. A geração de empregos no Sul e no Nordeste foi afetada neste ano pelo clima, por isso ficou bem abaixo dos índices do ano passado, segundo explicou Berzoini. No Rio Grande do Sul, foram gerados 19 mil empregos em março do ano passado, contra 6 mil em igual período deste ano. Segundo Semestre Berzoini espera uma melhora no ritmo de geração de empregos até o meio do ano. No segundo semestre, o ministro afirma que a melhora dependerá muito do desempenho do mercado interno e das exportações. ?O resultado de março é bastante positivo. Só foi superado por março de 2004, que teve um desempenho excepcional?, disse Berzoini. O ministro acrescentou que, se não fosse a estiagem no Rio Grande do Sul, o governo poderia atingir novo recorde na criação de empregos formais este ano, que deve chegar a 1,2 milhão. No ano passado, o mercado de trabalho criou 1,5 milhão de postos formais. Juros Para o ministro, os efeitos da alta de juros e do aumento do câmbio ainda não impactaram o mercado de trabalho de forma significativa. De acordo com Berzoini, os empresários têm a expectativa de que a política monetária mais austera é temporária e por isso continuam investindo. Disse ainda que sua expectativa é que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) mantenha a taxa de juros na reunião desta semana. ?Acho que é razoável manter (os juros) porque sinaliza o encerramento de um ciclo de alta?, afirmou. O ministro criticou a rigidez da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, afirmando que ela não tem efeitos sobre os preços administrados e as oscilações de commodities e do petróleo no mercado internacional. ?Não adianta aumentar os juros porque isso vai atingir apenas um terço ou um quarto da inflação e tem um custo muito elevado para o país porque impacta a dívida pública?, afirmou. O ministro afirmou ainda que há espaço no governo para discutir a política monetária e defendeu uma meta maior para a inflação ou uma metodologia diferente que considere o núcleo da inflação e os preços livres. ?Não adianta ficar com a ilusão a respeito da inflação. É importante combatê-la, mas também temos que reconhecer a realidade e ver que os preços livres estão acomodados. Acho que há espaço no governo para debater a questão. Toda a equipe econômica tende a ser conservadora para não passar a idéia de que está afrouxando?, afirmou o ministro.