Economia
Copom eleva juros pela oitava vez
| ANA PAULA RIBEIRO Folha Online Mesmo com os sinais de desaquecimento da economia no primeiro trimestre deste ano, o Banco Central decidiu encarecer ainda mais o crédito no país, inibindo o consumo no varejo, a produção na indústria e a geração de empregos, com o objetivo de conter remarcações de preços. Pelo oitavo mês consecutivo, o Comitê de Política Monetária do (Copom) do Banco Central (BC) elevou os juros básicos da economia, que servem de referência para os bancos calcularem as taxas dos empréstimos cobrados dos clientes. A chamada taxa Selic subiu de 19,25% para 19,50% ao ano, alta de 0,25 ponto percentual. Ou seja, desta vez, o BC diminuiu a dose do aperto monetário. Desde outubro, o aumento tem sido de 0,50 ponto percentual. Mesmo assim, esta é a maior seqüência de altas na história das reuniões do comitê. Acima deste patamar, só a taxa anunciada na reunião de setembro de 2003, quando os juros foram fixados em 20%. Essa decisão do Copom contraria as expectativas do mercado financeiro. A maioria dos analistas ouvidos pelo BC no boletim Focus, divulgado na segunda-feira passada, esperava o fim do ciclo de alta dos juros, com a manutenção da taxa em 19,25%. ?Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa de juros básica iniciada na reunião de setembro de 2004, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic?, informa a nota divulgada pelo comitê. INflação Para justificar suas decisões de provocar um aumento do custo do crédito no país, o BC tem argumentado que o aperto monetário é necessário para conter reajustes de preços, evitando um descontrole da inflação. Mesmo com o ciclo de altas dos juros, a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tem se mantido acima da meta (5,1%) perseguida pelo BC para 2005. Em março, o IPCA indicou inflação de 0,61%, acima do 0,59% do mês anterior. Em 12 meses, até março, a inflação já atinge 7,54%. Um dos motivos para a inflação elevada é o reajuste de alguns preços de serviços monitorados pelo governo, como tarifas de ônibus, energia e telefone. Diante dessas pressões e do risco de uma piora do cenário externo, o mercado tem elevado suas expectativas de inflação. Esta semana, os bancos e consultorias pesquisados pelo BC apontaram que esperam um IPCA de 6,10% neste ano, acima dos 5,77% projetados antes da reunião do Copom de março.