Economia
Empres�rios criticam alta da Selic
| O GLOBO Como era de se esperar, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de aumentar em 0,25% a taxa básica de juros do País teve acolhida negativa entre diversas entidades do setor produtivo e sindical. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse que os juros altos, juntamente com os impostos e o câmbio sobrevalorizado, impedem a competitividade da indústria brasileira. A nova alta, segundo Skaf frustrou a sociedade, os empresários e os trabalhadores, que, ?com a mesma expectativa da eleição do novo Papa, aguardavam a fumaça branca da redução dos juros?. Em concordância, o diretor Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Nildo Masini considerou que ?dificilmente a alta da Selic em 0,25 ponto percentual vai inibir o consumo?. Para ele, o juro já está tão alto que o consumidor não sentirá um aumento da taxa no crédito. Masini assinalou que ?quem vai a uma loja fazer uma compra está preocupado que a prestação caiba em seu bolso e uma alta de 0,25 ponto na Selic não fará grande diferença?. Para a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que se posicionou por nota à imprensa, a nova elevação da Selic contribuirá negativamente para o crescimento do País, não apenas este ano, mas também em 2006. A Firjan lembrou que a economia está em desaceleração devido aos elevados juros reais do País e defendeu que o governo dê tratamento prioritário ao ajuste dos gastos correntes do setor público. Sindicatos O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho advertiu que ?depois de oito meses consecutivos de elevação da Selic, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve tomar uma providência urgente em relação à política de juros?. Marinho considera que o Copom ?afronta a sociedade? com mais esse aumento. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva considerou a alta ?lamentável?. Segundo o sindicalista, manter as taxas em patamares estratosféricos não gera consumo e, sem consumo, não há produção, resultando em mais desemprego. Ele acha, também, que essas sucessivas elevações da Selic ?já comprometeram todo o segundo semestre de 2005?. Comércio Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Guilherme Afif Domingos, a alta traz retração da produção de bens de capital e ?anula os esforços do governo de realizar superávits operacionais elevados?. O economista da entidade, Marcel Solimeo, disse que os técnicos do Copom ?erram ao tentar controlar a inflação com juros mais altos?. Isto porque, para ele, não há inflação de demanda e apenas os preços administrados ? que não são afetados por qualquer elevação dos juros ? estão subindo. A alta da Selic fez a Federação do Comércio de São Paulo rever para baixo a previsão de crescimento de vendas do varejo este ano, de 4% para 3%. O presidente Abram Szajman afirmou que o BC continua conduzindo de forma conservadora a política monetária e diz que há espaço até para a redução imediata dos juros. A a atual estratégia, frisou Szajman, tem sido ineficaz ?já que os juros elevados não conseguem mais controlar a inflação?. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), o aumento da Selic deve elevar a taxa média cobrada no crédito ao consumidor de 7,55% para 7,57% ao mês ? o equivalente a 140,05% ao ano. No crédito para empresas, o juro médio deve passar de 4,43% para 4,45% ao mês, ou 68,62% ao ano. Apesar do pequeno efeito sobre as operações de crédito, a entidade considera inoportuna e desnecessária a nova alta.