Economia
Agroind�stria de AL vai conhecer o Tocantins
| PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Ainda está na fase do cortejo. Se vai dar casamento, ainda não se sabe. De qualquer forma, o interesse parece mútuo e dessa vez são os alagoanos que vão dar o segundo passo numa parceria que ainda vai dar muito o que falar em terras alagoanas. Em março passado, o presidente da Assembléia do Tocantins, César Halum, e o secretário de Agricultura, Roberto Sahium esteviveram em Maceió para atrair os empresários da agroindústria canavieira para se instalar no seu Estado. Durante a visita, os dois representantes tocantinenses falaram sobre o clima, solo e topografia favoráveis do Tocantins, cuja economia está baseada no cultivo da soja e da pecuária. O governador do Estado de lá, Marcelo Miranda, visa diversificar as atividades produtivas do Tocantins e vê, na produção de açúcar e de álcool uma boa alternativa para gerar empregos e promover o crescimento da região. Para tanto, ele não se faz de rogado. Oferece uma série de incentivos fiscais ? isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para os plantadores de cana-de-açúcar e desconto de apenas 2% sobre a produção de usinas e destilarias ? e financiamento. O crédito oferecido pode ser obtido pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste, do BNDES, e também de capital externo, de instituições financeiras internacionais - já que o Tocantins é um dos únicos estados brasileiros que tem classificação ?A? na Secretaria do Tesouro Nacional AGROTINS ?Quando desembarcarmos no Tocantins seremos recebidos pelo governador?, diz o economista Gilvan Ribeiro, fornecedor de cana em Alagoas, articulador da viagem. ?Lá, vamos participar da Agrotins ? uma Feira de Tecnologia Agropecuária ?, visitar os pólos de agronegócios do Tocantins e conhecer a infra-estruura disponível?, enumera. Sobre os membros que fazem parte da comitiva, Ribeiro diz que há representantes do grupo Olival Tenório, detentor da Usina Porto Rico, Decasa e Porto Alegre, Klécio Santos, da Cooperativa Pindorama e fornecedores de cana-de-açúcar. Antônio Lisboa, presidente da Cooperativa dos Produtores Rurais de Alagoas, é um dos que vai marcar presença. ?Acho que no Tocantins os pequenos e médios plantadores de cana vão encontrar maior apoio para produzir?, afirma entusiasmado com a política de incentivos oferecida pelo Estado tocantinense. ?Vamos analisar as condições, mas o cenário é bem animador. Eles têm boas estradas. A produção pode ser escoada por hidrovias, pela Ferrovia Norte-Sul e pelo porto do Maranhão. O Estado tem bons sistemas de irrigação e seis projetos de hidrelétricas?, diz animadamente. ### Pindorama pode expandir para o TO Um dos nomes confirmados na comitiva formada por empresários alagoanos que vão a Tocantins no dia 1º de maio é o de Klécio Santos, presidente da Cooperativa Pindorama. Não será a sua primeira vez no Estado tocantinense. Na verdade, Santos já esteve na Agrotins ? Feira de Tecnologia Agropecuária no ano passado. Desde então, o sonho de reproduzir o modelo de reforma agrária bem-sucedido de Alagoas no Tocantins tem sido acalentado pelo governador de lá, Marcelo Miranda. ?O Tocantins é um estado que está crescendo muito?, comenta Klécio Santos, mencionando que o governo tocantinense tem buscado parcerias e novos investimento visando ao desenvolvimento econômico de seu Estado. ?Desde 2004, estamos conversando com os representantes do Tocantins, que têm se mostrado dispostos a nos oferecer terras e incentivos para que levemos nossa tecnologia para o Estado?, diz Santos. ?A princípio, está sendo cogitada a possibilidade de enviarmos filhos de cooperados nossos para o Tocantins para abrir uma filial da Pindorama por lá. De qualquer modo, o governo está interessado na nossa experiência para servir de modelo para fazer futuros assentamentos. Mas, por enquanto, ainda estamos em fase de negociação?, ressalta o presidente da Cooperativa Pindorama. Assédio Não é a primeira vez que propostas de exportação de capital e tecnologia são feitas à cooperativa alagoana. Volta e meia, líderes políticos do País e de fora dele visitam Pindorama para conhecer de perto seu modelo de gestão. Esta semana, por exemplo, um representante da Colômbia irá à cooperativa para conhecê-la. Outro estado brasileiro que já assediou a Pindorama foi o Acre. Em dezembro do ano passado, o senador Sibá Machado levou representantes da Cooperativa para seu Estado. O parlamentar acreano propôs a Klécio Santos que a Pindorama assuma o maquinário da Alcoobrás ? uma usina falida e desativada de seu Estado. Sibá Machado gostaria de ver a reativação da usina, conjugada com o assentamento de centenas de famílias de pequenos produtores familiares formando uma nova cooperativa. Para tanto, ele propõe que seja firmado um contrato em regime de comodato entre a Cooperativa e o Poder Público ? Incra ou governo do Estado ? que pode adquirir a estrutura industrial da Alcoobrás com financiamento do Banco do Brasil. Em seguida, o senador prevê a reconstrução do maquinário da Alcoolbrás, a instalação da Cooperativa, o preparo do solo para produção de cana-de-açúcar, seleção e assentamento das famílias dos agricultores. Tudo isso no prazo mínimo mais ou menos dois anos para que a unidade agroindustrial do Acre voltasse a entrar em atividade, dentro do modelo sustentável. PM