Economia
Reajuste de luz supera de longe infla��o
| INVERTIA A tarifa média de energia elétrica aumentou 231,2% nos últimos dez anos, acima do Índice de Preços ao Consumidor médio (IPC-M), de 145,9%, mas abaixo do Índice de Preços do Atacado (IPA-M), de 242,35% no período. A maior elevação, 254,7%, foi cobrada dos consumidores residenciais, enquanto as indústrias pagaram 214,5% a mais em 2004, na comparação com o preço do MWh de 1995. A diferença entre as tarifas das classes industrial e residencial foi ampliada em 1982, quando a alta tensão (indústrias) passou a receber subsídios da baixa tensão (residências), inclusive no volume de energia consumido. Essa diferença chegou ao ápice em 2000, quando o preço do MWh de uma classe a outra chegou a ser 55,3%. A distorção só começou a ser corrigida em 2003, quando o governo federal começou a efetuar o ?realinhamento tarifário?, que deve ser concluído em 2007. De acordo com a Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia Elétrica (Abrace), o processo custará um aumento de 20% no custo da energia para as indústrias, sem gerar, contudo, grande impacto na competitividade da produção, já que o processo ocorre simultaneamente à migração dos consumidores com demanda acima dos 69 kV para o mercado livre. ?A negociação bilateral permite a redução dos custos, em alguns casos, de até 30%?, afirma o diretor da comercializadora Enecel, Raimundo Batista. A variação do valor do MWh entre as classes de consumo continuam já que será mantida a cobrança diferenciada da tarifa de transporte de energia, a chamada tarifa fio. A tarifa fio representa, na média, cerca de 30% da tarifa total e chega a aproximadamente 50% do valor pago pelos consumidores residenciais. No caso do consumidor livre, devido à redução no custo de compra da energia, a tarifa fio representa entre 20% e 30% do custo total. Os segmentos rural e de serviços públicos têm desconto de 10%; as cooperativas de eletrificação, 50%. Além disso, cerca de 16 milhões de consumidores de baixa renda participantes de programas sociais do governo, pagam tarifa de 37% a 65% mais baixa por determinação da Aneel.