Economia
AL celebra vit�ria do Brasil na OMC
PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia A Organização Mundial do Comércio (OMC) novamente deu parecer favorável ao Brasil, Tailândia e Austrália em relação ao pedido do fim do subsídio dado pela União Européia (UE) aos produtores de açúcar de seu continente. A UE havia apelado, em janeiro, contra o parecer anterior da OMC dado em agosto do ano passado. Desde então, a Organização considerou que a prática européia feria as regras internacionais de comércio. A decisão sobre a ilegalidade dos subsídios já era esperada pelo mercado brasileiro e deve fazer com que a exportação do produto nacional aumente em até 4 milhões de toneladas por ano, de acordo com especialistas do setor sucroalcooleiro. O Itamaraty terá que dar pelo menos seis meses para que a União Européia cumpra a definição da OMC. Por outro lado, o Brasil esperava que a decisão fosse cumprida em três meses. De qualquer forma, a UE terá de acatar a decisão da organização desta vez. Alagoas Em Alagoas, a decisão da OMC teve boa acolhida,tendo em vista que o País é o principal candidato a atender os mercados que devem deixar de ser abastecidos pelos produtores europeus. No País o custo da tonelada do açúcar gira em torno de US$ 170, contra US$ 710 na Europa. ?Os produtores de açúcar mais eficientes do mundo são os brasileiros?, diz, sem falsa modéstia José Carlos Maranhão, empresário da agroindústria canavieira de Alagoas. Na sua opinião, a decisão da OMC certamente vai abrir mais espaço para o açúcar brasileiro em mercados já desbravados. ?Provavelmente os mercados abertos estarão concentrados na Rússia, na África do Norte, no Oriente Médio e no Leste Europeu que foram conquistados pelos brasileiros?, afirma Maranhão. Mas, de acordo com o empresário os preços externos do açúcar não tendem a ficar mais valorizados no mercado internacional em função da decisão da OMC. Para ele, a cotação do petróleo ? que interfere no preço do álcool combustível ? é que vai continuar exercendo esse papel regulador. Segundo o líder do Grupo Maranhão, das Usinas Santo Antônio e Camaragibe, entre os concorrentes do Brasil para atender este mercado o único que tem condições de expandir sua produção é a Tailândia. ?A Austrália já está com suas fronteiras ocupadas?, explica. Sob a mesma argumentação, José Carlos Maranhão acredita que o parecer desfavorável da OMC aos subsídios europeus vai beneficiar mesmo os produtores de açúcar da região Centro-Sul do Brasil. Para ele, a produção do Nordeste não tem condições de atender esse mercado deixado pelos produtores europeus em um curto prazo. ÁLCOOL Pedro Robério Nogueira, presidente do Sindicato dos Produtores de Açúcar e de Álcool de Alagoas (Sindaçúcar) tem uma opinião diferente. Ele acredita que é possível Alagoas aumentar a sua produção verticalmente graças à irrigação e aos investimentos realizados no melhoramento genético das variedades de cana-de-açúcar, apesar de estar vulnerável às questões climáticas. ?Há duas safras temos apresentado volume de produção menor do que as expectativas?, diz. Segundo o presidente do Sindaçúcar, o mercado vai reagir de acordo com as circunstâncias futuras. Mas, para ele Alagoas tem um diferencial importante. ?Temos a melhor logística do Brasil?, diz confiante. Por outro lado, os alagoanos podem fazer opção pelos destinos de sua produção ou do escoamento dela em função das melhores oportunidades. ?Os alagoanos podem priorizar o atendimento aos mercados deixados pelos europeus aumentando sua exportação de açúcar e diminuindo sua produção de álcool para o mercado interno ? que é onde perdemos em competitividade em função de questões fiscais?, afirma.