Economia
Varig comanda a uruguaia Pluna
AGÊNCIA EFE A companhia áerea brasileira Varig continuará gerenciando a Pluna, da qual tem 49% das ações, por mais dois meses, segundo acordo feito com o Estado uruguaio e divulgado na sexta-feira por fontes empresariais. As mesmas fontes garantem que ambas as partes estão definindo formas de capitalizar a companhia aérea uruguaia. concordância ?Concordamos em manter o acordo que a Varig tem para conduzir a gerência da Pluna até o dia 27 de junho, mas, ao mesmo tempo, as autoridades uruguaias terão participação na gestão e na direção da empresa?, disse Carlos Bouzas, presidente da Pluna, em declarações dadas à Rádio Carve de Montevidéu. O anúncio foi feito um dia antes de que vencesse o prazo que a Varig tinha para decidir se continuava na Pluna ou não. NA DIREÇÃO Jorge Neves é executivo de carreira no Grupo Varig. Carioca, afável, descontraído, Neves é um profissional que já exerceu cargos de comando antes de assumir o desafio de dirigir a Pluna, ainda em 2001 - um ano particularmente difícil para o setor. Neves anteriormente foi presidente da SATA, igualmente pertencente ao Grupo Varig. Seu ótimo desempenho frente à empresa e sua inata capacidade conciliadora acabaram por lhe valer a missão de ser o primeiro presidente estrangeiro da empresa uruguaia, fundada em 1936. Como todo começo, a princípio a tarefa não foi fácil. ?Mas as pessoas aqui recebem muito bem os brasileiros. E com o tempo, já se acostumaram com meu jeito informal, descontraído. Gosto de trabalhar em equipe e isso ajudou.? Mais importante é que sob sua administração a Pluna tem experimentado resultados muito bons, especialmente se considerarmos o terrível período que toda a aviação no mundo atravessa. No caso uruguaio, então, os efeitos da gravíssima recessão argentina dos últimos anos não podem ser desconsiderados; a economia uruguaia continua atrelada umbilicalmente ao que acontece do outro lado do Rio De La Plata. Se a economia argentina fica gripada, a uruguaia pega uma pneumonia dupla, como diria um famoso jornalista econômico brasileiro. ?Hoje obtivemos um acordo para a liberação de fundos e para aliviar a angústia financeira da Pluna?, assinalou Bouzas, que indicou que o acordo de capitalização ?inclui uma fórmula econômica um pouco complexa? que ainda está em estudo. ?Além disso, se a Varig achar conveniente e com o aval da Pluna, poderá vender seu pacote de ações?, assinalou o funcionário. Há dez anos a Pluna, que era 100% estatal, se transformou em uma sociedade anônima na qual a Varig possui 49% das ações, o Estado uruguaio, 48%, um grupo de investidores locais, 2% e o restante 1% está nas mãos dos trabalhadores da empresa. Investidor O possível novo investidor ?não tem porque ser outra companhia de aviação?, acrescentou Bouzas, designado pelo governo de Tabaré Vázquez, que assumiu em 1º de março. Bouzas classificou como ?complexa, mas não extrema? a situação financeira da empresa. ?A situação tem solução e a estamos buscando com os amigos da Varig?, afirmou o presidente da Pluna. Na sexta-feira, uma vez finalizada a primeira reunião, Bouzas disse que ?a angústia financeira é fruto da gestão levada a cabo pela Varig? e que ela tinha que enfrentar sua responsabilidade.